Manifestantes cercam sede do governo do Paraná durante visita de Bolsonaro e Moro

Mariana Ohde, Vinicius Cordeiro e Francielly Azevedo - CBN Curitiba


O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro enfrentaram protestos em visita a Curitiba, nesta sexta-feira (10). No fim da tarde, dezenas de manifestantes já estavam reunidos em frente ao Palácio Iguaçu, no Centro Cívico da capital, onde ambos participam da cerimônia de assinatura do contrato de cooperação técnica com o governo federal para o funcionamento do Centro Integrado de Inteligência de Segurança Pública da Região Sul (CIISP-Sul).

Os protestos vinham sendo organizados, nas redes sociais, desde o anúncio da visita do presidente. Entre as pautas dos manifestantes estão os cortes nas verbas das universidades públicas – na Universidade Federal do Paraná serão retirados R$ 48 milhões – e a reforma da Previdência.

A sede do governo estadual foi evacuada às 13h. Além disso, um bloqueio no bairro Juvevê, mais especificamente na Rua Deputado Mário de Barros, que dá acesso ao Palácio, foi feito a partir das 16h. A Secretaria Municipal de Trânsito de Curitiba (Setran) orientou os motoristas que trafegavam na região.

Foto: Vanessa Fernandes/CBN Curitiba

Moro e Bolsonaro foram recebidos no Palácio Iguaçu pelo governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), por volta de 17h. Antes, eles estiveram no prédio da Secretaria de Segurança Pública para uma visita.

Também estiveram presentes na cerimônia os governadores de Santa Catarina, Comandante Moisés (PSL), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), além do prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN).

Em seu pronunciamento, o prefeito afirmou que a cidade está honrada em sediar o centro integrado. “Queremos oferecer, ao presidente Jair Bolsonaro, todas as experiências de Curitiba para serem compartilhadas com todas as cidades do Brasil”, disse.

Sergio Moro falou em seguida e enfatizou a necessidade de usar os recursos disponíveis para melhorar a segurança pública. “Sempre tenho dito que segurança pública precisa de mais investimentos, mais recursos. Precisamos valorizar os agentes de segurança pública. Mas, acima de tudo, precisamos fazer melhor com o que já temos”.

Para o ministro, a integração pode auxiliar neste processo. Uma ideia que, segundo ele, veio do governo anterior. “A ideia é criar um centro integrado de inteligência e segurança em cada região do país”, afirmou. “Não é um centro para atender o Paraná, é um centro para atender os três estados da região Sul”.

“Trabalhamos juntos, deixando de lado eventuais vaidades de comprometem o serviço público. Nós podemos fazer muito, podemos ir muito longe e hoje temos um grande desafio no nosso país, elevados índices de criminalidade. Nós temos organizações criminosas poderosas. E somente trabalhando juntos poderemos superar esses problemas, que certamente serão superados. Nada pode se opor ao Estado e à sociedade brasileira desde que estejam integrados no objetivo de construir um país melhor”.

O presidente Jair Bolsonaro, que não falaria na cerimônia, pediu a palavra ao final dos pronunciamentos e foi recebido aos gritos de “mito, mito”.

“Juntos, vamos resgatar o Brasil”, disse, após os agradecimentos. “O que não falta é gente boa nessa pátria maravilhosa, e grande parte dessas pessoas está aqui, no Paraná. Como exemplo, meu querido ministro, Sergio Moro, meu prezado governador, Carlos Massa, prefeito Rafael Greca”, disse.

“O momento é de cumprimentar o ministro Moro e sua equipe por essa feliz iniciativa de realmente colocar em primeiro lugar o combate ao crime organizado em nosso país”.

O presidente falou, também, sobre o recente decreto que facilitou o acesso às armas de fogo, que, de acordo cm ele, foi elaborado “no limite da lei”.”Não como medida de segurança pública, mas como o direito individual do cidadão à legítima defesa. Nós temos que respeitar a vontade popular”, disse.

“Senti-me feliz com esse ato. Não cedemos, não recuamos diante daqueles que sempre se dizem especialistas em segurança, mas, se alguém jogar um traque de São João perto, cai no chão. Nós pretendemos, sim, combater a violência com uma política de inteligência e também, se for preciso, conceder aos nossos homens e mulheres segurança, a devida retaguarda jurídica, precisamos do parlamento brasileiro, esperamos conseguir”.

“A vida do cidadão de bem não tem preço. Aqueles que estão à margem da lei, paciência”, finalizou.

Foto: Franklin de Freitas/Folhapress

Foz do Iguaçu

Durante a manhã, Jair Bolsonaro esteve em Foz do Iguaçu. Ao lado do governador Ratinho Júnior e do presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, eles fizeram o lançamento da pedra fundamental da segunda ponte entre Brasil e Paraguai.

É a segunda vez que o presidente esteve no Oeste de Paraná neste ano. No final de fevereiro, ele participou da solenidade de posse do novo diretor-geral brasileiro da Itaipu, Joaquim Silva e Luna.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal