Lava Jato: Walter Faria, do Grupo Petrópolis, é acusado de lavar R$ 15 milhões

Angelo Sfair

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O dono do Grupo Petrópolis, Walter Faria, foi acusado pela força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba por 12 crimes de lavagem de dinheiro que totalizam US$ 3,68 milhões, cerca de R$ 15,1 milhões. O MPF (Ministério Público Federal) também denunciou o sobrinho do empresário, Vanuê Antônio da Silva Faria (ex-membro do Conselho da Administração da Itaipava) e o advogado Nelson de Oliveira.

Walter Faria está preso desde o dia 5 de agosto, quando se entregou à Polícia Federal após ser alvo da Operação Rock City, a 62ª fase da Lava Jato. Além da lavagem de dinheiro, o Grupo Petrópolis também é suspeito de pagar propinas disfarçadas de doações eleitorais. Ao todo, as movimentações suspeitas chegam a R$ 329 milhões, entre 2006 e 2014.

De acordo com a denúncia divulgada nesta quarta-feira (04) pela força-tarefa Lava Jato, os crimes teriam acontecido entre 2006 e 2007. O dinheiro supostamente lavado pelo Grupo Petrópolis, que opera marcas de cerveja como a Itaipava, era movimentado por operadores financeiros investigados no esquema de corrupção da Petrobras, como Fernando Soares (conhecido como ‘Fernando Baiano’), Bruno Luz e Jorge Luz.

Os procuradores da República apontam que a lavagem de dinheiro do Grupo Petrópolis ajudou esconder parte dos US$ 15 milhões em propinas pagas em meio aos contratos para a construção de um navio-sonda da Petrobras. Entre 2006 e 2008, o estaleiro sul-coreano Samsung construiu a plataforma Petrobras 10.000 ao custo de US$ 586 milhões. As propinas deste contratos também foram operacionalizada pelo ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, já condenado em outros processos decorrentes da Lava Jato.

Desta vez, a nova denúncia mira a etapa da lavagem de dinheiro transnacional decorrente dos crimes de corrupção cometidos durante a construção do navio-sonda Petrobras 10.000. Segundo a força-tarefa, documentos bancários obtidos na investigação comprovaram que Walter Faria, Vanuê Antônio da Silva Faria e Nelson de Oliveira controlavam contas no exterior que receberam milhões de dólares em recursos ilícitos. O dinheiro lavado beneficiou Nestor Cerveró e os agentes políticos que o sustentavam na diretoria da estatal.

Para sustentar a denúncia, o MPF colheu provas durante o cumprimento dos mandados da 62ª fase da Operação Lava Jato. Além disso, os procuradores pediram as quebras de sigilo bancário e fiscal dos suspeitos, e utilizaram dados contidos no relatório de Comissão Interna de Apuração da Petrobras, no rastreamento de contas ocultas no exterior, obtidas mediante cooperação jurídica internacional, e nos depoimentos de delatores.

O Grupo Petrópolis, por meio da assessoria de imprensa, informou que “todos os esclarecimentos solicitados já foram prestados aos órgãos competentes, em diversas ocasiões”.

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