Walter Faria, do Grupo Petrópolis, poderá sair da cadeia mediante fiança de R$ 40 milhões

Angelo Sfair

walter faria grupo petrópolis denúncia lava jato rock city lavagem de dinheiro odebrecht habeas corpus trf-4

Alvo da 62ª fase da Operação Lava Jato, o empresário Walter Faria, dono do Grupo Petrópolis, conseguiu na Justiça um habeas corpus. Ele está preso desde o dia 5 de agosto por determinação da 13ª Vara Federal de Curitiba. O controlador da cervejaria Itaipava poderá deixar a prisão mediante pagamento de fiança estipulada em R$ 40 milhões.

Além disso, Walter Faria deverá cumprir medidas cautelares. Entre elas, o monitoramento por tornozeleira eletrônica. Conforme decisão do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), o empresário também fica proibido de viajar para o exterior sem autorização judicial.

Walter Faria foi acusado de operar ilegalmente R$ 329 milhões em favor da Odebrecht. Conforme a força-tarefa Lava Jato, empresas do Grupo Petrópolis foram usadas para trocar valores em reais por dólares em contas no exterior.

Ainda conforme a força-tarefa Lava Jato, o controlador da cervejaria Itaipava repatriou ilegalmente R$ 1,4 bilhão. O caso investigado pela Operação Lava Jato aconteceu em 2016. Para esse fim, o grupo empresarial teria se valido de um programa do governo federal para trazer ao Brasil valores mantidos no exterior.

DEFESA DE WALTER FARIA MINIMIZA ATUAÇÃO DO ACUSADO

Os advogados apontam que a participação do empresário é menor do que a cogitada inicialmente. Conforme a defesa, o empresário tem colaborado com as investigações do suposto esquema. Por isso, o acusado não ofereceria mais riscos à investigação.

Relator da Lava Jato no TRF4, João Pedro Gebran Neto decidiu acatar o pedido de liberdade de Walter Faria. O desembargador determinou as seguintes medidas cautelares: proibição de deixar o país sem autorização judicial; entrega de passaporte; proibição de contato direto ou indireto e por qualquer meio de comunicação com os demais investigados; monitoramento por tornozeleira eletrônica e obrigatoriedade de comparecimento em juízo para os atos judiciais.

Além disso, Gebran Neto estipulou uma fiança de R$ 40 milhões. Ele justificou o alto valor apontando que o objetivo é desestimular a reincidência.

“O objetivo da fiança não é apenas garantir o efetivo pagamento das custas processuais, mas também inibir a prática de outras infrações penais. O estabelecimento de fiança em patamar módico, portanto, acabaria por estimular o infrator a reincidir na prática delituosa”, pontuou, ao conceder o habeas corpus a Walter Faria.

Previous ArticleNext Article