“Delatores estão sendo perseguidos”, diz Wesley Batista em CPMI que investiga JBS

Andreza Rossini


Com Agência Senado

Em reunião conjunta da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Câmara dos Deputados, que investiga a JBS e da CPI do BNDES do Senado, o empresário Wesley Batista, um dos controladores do grupo J&F, negou ter descumprido as cláusulas do seu acordo de colaboração judicial e se disse injustiçado por estar preso enquanto as pessoas que delatou estão soltas.

Ele presta depoimento na manhã desta quarta-feira (8), no plenário 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

“Estamos vendo colaboradores sendo punidos e perseguidos pelas verdades que disseram. Isso fez o Brasil se olhar no espelho, mas como ele não gostou do que viu, temos delatores presos e delatados soltos”, disse.

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Questionado pelo presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO), Batista falou que não vai responder perguntas de deputados e senadores. “Mas tão logo seja resolvida a pendência relativa à minha colaboração, me coloco à disposição para dar as informações necessárias”.

Wesley Batista disse não estar arrependido de colaborar com a Justiça e descreveu o processo de delação premiada como uma decisão “difícil e solitária” e classificou a reviravolta dos benefícios que obteve com a colaboração como um “retrocesso”. “Na condição que me encontro, descobri que o processo é imprevisível e inseguro”.

As investigações

Os irmãos Wesley e Joesley Batista estão presos, suspeitos de usar informações privilegiadas para obter lucro com compra de dólares e venda de ações da própria JBS antes da divulgação do acordo de colaboração que fizeram com o Ministério Público.

Eles são acusados de fazer as operações financeiras entre os dias 3 de maio, quando foi assinado o acordo de delação premiada, e 17 de maio, data em que foi divulgada a gravação entre Joesley e o presidente Michel Temer, quando o acordo de colaboração se tornou público.

O presidente da CPMI, Ataídes Oliveira, avisou que os parlamentares vão fazer as perguntas que quiserem, mesmo com a recusa de Batista de responder.

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