Em depoimento, Youssef confirma propina para PP e PT

Redação


O doleiro Alberto Youssef, que prestou depoimento nesta quinta-feira (7), na 13ª Vara Federal de Curitiba, confirmou que a empreiteira OAS realizou pagamentos indevidos a funcionários da Petrobras e integrantes do Partido Progressista (PP) e Partido dos Trabalhadores (PT).

Youssef prestou depoimento ao juiz Luiz Antonio Bonat, que acaba de assumir o cargo deixado pelo ex-juiz federal Sergio Moro, atual ministro da Justiça e Segurança Pública. Estes foram os primeiros depoimentos conduzidos pelo novo magistrado e acontecem no âmbito da 56ª fase da Operação Lava Jato.

Questionado pelo Ministério Público Federal (MPF), o doleiro confirmou ter intermediado o pagamento de valores da OAS a funcionários da Petrobras e membros do PP e PT. Segundo Youssef, havia um acordo entre as empreiteiras para definir quem venceria as licitações da estatal. “Elas se revezavam entre os contratos ou se consorciavam para que fossem vitoriosas nessas contratos”, disse. Youssef relatou negociações entre o então diretor de abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e as empreiteiras para beneficiar o PP. Da mesma forma, o diretor de serviços Renato Duque atuava para beneficiar o PT, segundo o doleiro. 

“Havia acordo entre os dois partidos, onde cada um tinha uma porcentagem. Normalmente era 1% para cada partido, mas sempre tinha descontos e contratos que era 0,5%, ou 0,7%. Dependia do contrato”, relatou.

Youssef era responsável pela entrega dos valores que vinham da diretoria financeira dedicada à geração de caixa 2. “Os recursos chegavam a mim em reais. Eu recebia dinheiro vivo deles [OAS], guardava e fazia as entregas”, conta. 

Os pagamentos e endereços onde deveriam ser entregues eram especificados por Ricardo Nogueira Breghirolli, apontado como chefe do departamento de propinas da OAS. “Toda semana, ele me entregava uma planilha dos valores que ele tinha me entregue e que eu tinha entregue a pedido dele nos endereços que ele tinha me repassado”, conta.

Entre as entregas, Youssef confirmou ter visitado, em cerca de três oportunidades, o endereço de Marice Correia de Lima, cunhada de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do PT, classificado, por Youssef, como “arrecadador do Partido dos Trabalhadores”. O doleiro, porém, não soube determinar a participação de Marice no esquema. “Eu recebia a orientação de entregar os valores nos endereços. A OAS não passava o motivo dos valores serem entregues”.

Odebrecht

Também foi ouvido, nesta quinta-feira, o ex-executivo da Odebrecht, Fernando Migliaccio, que começou como estagiário no grupo na década de 90. Nos últimos anos, ele participou do setor de operações estruturadas – que ficou conhecido como setor de propinas da empreiteira. A área existia desde 2006 e Fernando entrou em 2009.

Uma de suas funções era coordenar o recebimento de recursos da área de geração e repassá-los a um outro setor que efetuava os pagamentos. Segundo ele, a atividade do setor “consistia em fazer pagamentos paralelos não contabilizados”. A área tinha como líder Marcelo Odebrecht, segundo Fernando. Quem recebia as propinas era identificado com codinomes para que os funcionários da Odebrecht não soubessem quem eram os beneficiários dos valores indevidos.

No início, apenas Marcelo podia autorizar os pagamentos. Com o tempo e aumento do número de negociações, os líderes empresariais do Grupo Odebrecht passaram a ter o poder de solicitar e fazer pagamentos. Algumas pessoas que suas equipes podiam acompanhar as transações.

Paul Elie Altit, um dos executivos da Odebrecht, que foi líder Odebrecht Investimentos Imobiliários e tinha autonomia para autorizar pagamentos.

Fernando relatou as negociações com Valdemir Garreta, que seria publicitário do PT e operador. Segundo Fernando, em uma ocasião, Valdemir teria reclamado de um pagamento atrasado, sobre o qual ele não soube especificar detalhes. “Nós ligamos para um dos executivos da Odebrecht no Peru, não me lembro qual, para saber se o pagamento dele estava realmente autorizado”, disse. Com a confirmação, foi combinada a entrega.

Segundo Fernando, Valdemir visitava executivos da Odebrecht com frequência. Porém, pagamentos eram feitos sempre em datas e endereços pré-definidos. Em sua maioria, os pagamentos eram feitos a William Ali Chaim, que seria auxiliar do marqueteiro.

Sem Fundos

Batizada de “Operação Sem Fundos” investiga o superfaturamento na construção de uma sede da Petrobras em Salvador. A operação foi a primeira fase da Lava Jato sob o comando da juíza Gabriela Hardt, que substituiu temporariamente Sérgio Moro. As investigações começaram a partir das delações de Roberto Trombeta e Rodrigo Morales, ambos ligados ao doleiro Alberto Youssef.

Não há políticos envolvidos, mas a investigação desta fase aponta que 1% de toda a propina foi destinado ao PT. Ao todo, 42 pessoas são rés. Elas respondem por corrupção, gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, desvios de recursos de instituição financeira e organização criminosa.

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