Política
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Deputado denuncia "escalada sistemática" para acabar com o ensino superior público

O deputado federal Zeca Dirceu (PT) afirma que as reduções no orçamento das universidades e institutos federais de ensino inviabilizam a educação pública

Redação - 02 de agosto de 2022, 18:27

Arquivo/Luis Macedo/Câmara dos Deputados
Arquivo/Luis Macedo/Câmara dos Deputados

Os cortes orçamentários impostos pelo governo federal às instituições de Ensino Superior colocam em risco pelo menos 17 universidades federais. O cenário nacional afeta diretamente diversas universidades paranaenses - como UFPR, Unila, UTFR e IFPR.

Em debates sobre o tema nesta terça-feira (2), o deputado federal Zeca Dirceu (PT) condenou o mais recente corte nos orçamentos das universidades. Ele destacou que o corte compromete até o pagamento de contas básicas, como água e luz.

O orçamento das universidades federais, que em 2011 era de R$ 12 bilhões, pode passar para R$ 3,9 milhões em 2023. Ou seja, as instituições lidam com uma redução de três quartos do orçamento em pouco mais de uma década.

O reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, recém-eleito presidente da Andifes, avalia que as 69 universidades federais têm realidades e impactos diferentes em relação aos cortes.

"O orçamento de 2022 já tinha sido aprovado de um modo insuficiente para que as universidades fizessem frente à retomada presencial das atividades", disse ele. O corte nas despesas discricionárias chegou a 7,2% e a Andifes já apontava a falta de R$ 1 bilhão no orçamento.

Os reitores esperam ainda um novo corte de 12% no orçamento de 2023. "Temos uma situação absolutamente dramática", completou.

ZECA DIRCEU DENUNCIA DESMONTE DO ENSINO SUPERIOR

Para o deputado federal Zeca Dirceu, os cortes impossibilitam a gestão da educação pública. "Há uma escalada sistemática, que não se pode chamar nem mais de sucateamento, para acabar com o ensino superior público no Brasil", disse o parlamentar.

"A educação pública não é inimiga do país como pretende Bolsonaro, mas a solução para construir uma nação forte que pode resolver suas mazelas, e essencial para um tecido social saudável e transformador", completou.

Zeca Dirceu apontou que, apenas em 2022, mais de R$ 400 milhões foram cortados em recursos discricionários.

CORTES PREJUDICAM ESTUDANTES E PROFESSORES

Segundo o reitor da UFPR, Ricardo Marcelo Fonseca, a maior universidade do Paraná acumula cortes nas ordem de R$ 12,5 milhões em 2022. O enxugamento afeta diretamente os 32 mil estudantes e 2.150 professores que estudam e trabalham nos seis câmpus do estado.

A Unila (Universidade Federal para a Integração Latino-Americana), em Foz do Iguaçu, suspendeu as construções e licitações planejadas e continuará pagando aluguel. A instituição teve 14,5% do orçamento bloqueado em maio. No mês seguinte, 7,1% do orçamento foi efetivamente cortado.

O IFPR (Instituto Federal do Paraná), presente em 26 cidades do estado, perdeu cerca de R$ 5 milhões do orçamento. A redução no orçamento continuou impedindo ou atrasando a plena execução das atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação.

A UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), que administra 13 câmpus espalhados pelo estado, também perdeu mais de 7% do orçamento, sendo igualmente prejudicada.