“Zuado Eleitoral” satiriza candidatos de Curitiba

Narley Resende


Um vídeo do jornalista Jairo Nascimento, satirizando os candidatos à prefeitura de Curitiba, já alcançou mais de 3,5 mil visualizações no Youtube. Publicado no canal do também radialista, que agora é “youtuber”, o filme usa elementos estéticos e dos discursos dos nove candidatos para criar caricaturas, ao mesmo tempo em que provoca a visão crítica do conteúdo que está no ar, no horário eleitoral gratuito.

O jornalista captou detalhes visuais dos programas e também as caraterísticas da oratória e da postura gestual dos candidatos. E, reforçando os esteriótipos de cada um, expôs percepções que os eleitores mais atentos à campanha já têm, mas que ficam evidentes e cômicas quando destacadas em uma peça de humor.

O autor do vídeo, que contou com a ajuda de amigos na produção, pretende fazer outros filmes na mesma linha. “A gente vai fazer mais alguns isolados. Por exemplo, do Requião Filho, que lançou um vídeo do pai falando e a gente achou muito engraçado. Meu amigo vai fazer o Requião Filho e eu vou fazer o pai. Talvez aquele do Greca relacionado às pedras. E depende do que vier no horário eleitoral. Se tiver alguma coisa que a gente possa tirar um sarro”, conta. Os próximos debates eleitorais também devem ser tema de vídeos.

Na abertura do programa produzido por Jairo, ele mostra “Maria Derrota”, uma sátira com a candidata Maria Victória (PP). Ele aproveita a repercussão do “vazamento” do vídeo em que ela aparece dançando com amigos e diz que “uma prefeita de batom” seria “bom para Curitiba”. O jornalista também escancara o esteriótipo já explorado por adversários na campanha de que a candidata seria uma “patricinha”. Victória é deputada estadual e filha do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), e da vice governadora do Paraná Cida Borghetti (PROS).

Na sequência, Jairo explora a imagem já caricata do candidato Rafael Greca (PMN), que, no filme, é “Rafael Geleia”, interpretado por William Guerra Maionese. A sátira usa como elementos a aparência física, aliada ao ainda não superado episódio dos gastos que Greca teve com jantares de luxo, pagos com dinheiro da Cohapar quando esteve à frente da pasta. O esteriótipo de “bairrismo” de Greca é mostrado de forma hilária, com o ator abraçado a um pacote de “Milhopan” e uma garrafa de “Gengibirra” em quase todo o filme. E, de forma bem humorada, o jornalista usa os mesmos padrões da propaganda do candidato, que intercala cenas em cores na frente de equipamentos públicos da Prefeitura de Curitiba e outras em preto e branco.

O candidato Ademar Pereira (PROS), rebatizado de “Ademir”, não escapou da brincadeira com a abordagem excessivamente intimista que optou por usar nos poucos segundos de propaganda que tem. Na “pele” do ator é Juan Pineda, ele aparece bebendo água, ligando um aparelho eletrônico à tomada e até no banheiro.

O ator Diego Souza interpretou o candidato Ney Leprevost (PSD), que virou “Ney Risotô”. O vídeo brinca com a estética dos programas, em que o candidato quase sempre aparece caminhando. E, com o humor, fez uma crítica ao uso repetitivo de alguns projetos que Ney apresentou como deputado, mostrando como “feitos e propostas” o programa “Piá Bom de Bola” em edições 1,2,3,4,5 e 6. O sotaque curitibano forçado deu o “acabamento” à caricatura.

Para Requião Filho (PMDB), o jornalista aproveitou o apelido que o pai já recebeu em peças de humor do passado: “Requeijão Filho”. Também interpretado por William Maionese, o candidato teve reforçado o perfil “classe média sofre” exposto nas primeiras peças da campanha real, em que o candidato aparece dirigindo e falando sobre o desafio de disputar as eleições municipais. A estratégia de Requião Filho, de fazer filmes que parecem gravados sem produção, além do “olhar” sério foram um prato cheio para compor a caricatura. Também foi explorado a forte convocação que o candidato faz para as redes sociais.

Afonso Rangel (PRP) é o candidato sem tempo de TV, personificado por Victor Almeida. O retrato mais cômico da candidata Xênia Mello (PSOL) ficou por conta do slogan ousado da campanha: “Tem que ter peito pra mudar”. No vídeo, virou “Tem que ter bumbum para dançar”, aproveitando que a candidata é quase homônima da dançarina Sheila Mello, do É o Tchan.

A abertura infantil da campanha de Gustavo Fruet (PDT) ganhou uma versão bastante cômica com um adulto vestido de criança gritando “1,2 Guga”. O sobrenome do prefeito foi transformado em “Fruta” e o vídeo fez um retrato andrógeno do candidato à reeleição. O jornalista captou os gestos e a forma pausada de falar de Fruet e a frase usada em uma das primeiras peças da campanha: “eu não roubei e não deixei roubar”. Também explorou elementos visuais da campanha, como as imagens aéreas da cidade.

Na referência a Tadeu Veneri, o vídeo do personagem “Tadeu Recebis”, por Murillo Costa, explorou o momento político nacional reforçando a percepção que políticos e eleitores anti-PT têm da esquerda. Ao mesmo tempo em que evidenciou o perfil de acolhimento às demandas das minorias de forma caricata, o autor do vídeo pegou carona das notícias recentes de manifestações contra o presidente Michel Temer, que terminaram em vandalismo. No vídeo, o ator faz propostas para atender os anseios dos manifestantes e também de infratores, oferecendo pedras e spray para que vandalizem os ônibus.

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