Roy Z produz CD e compõe com banda curitibana

André Molina


Guitarrista produtor de Bruce Dickinson passa duas semanas na capital paranaense para trabalhar em novo disco das meninas do Punkake

Conhecido por ter produzido e tocado em grandes bandas do heavy metal mundial, o músico Roy Z está na capital paranaense para produzir o novo CD da Punkake, banda curitibana que já está em seu segundo trabalho e com alguns anos de estrada.

Não é de agora que ele é próximo do Brasil e do Paraná. Roy Z além de ter trabalhado com nomes importantes do metal mundial como o vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson, e do cantor do Judas Priest, Rob Halford,  também produziu os brasileiros do Sepultura, do Angra e os curitibanos do Kattah, no álbum “Lapis Lazuli” de 2014, que foi apresentado em show dividido com o produtor no John Bull nesse sábado (12 de setembro).

Há duas semanas Roy Z enfrenta rotina diária no estúdio Boom Sound Design, localizado nas proximidades do Santa Cândida, bairro entre a Operação Lava Jato e o rock ‘n’ roll.   Mantido pelo engenheiro de áudio Lucas Pereira, o estúdio tem dois anos de atividades e já gravou promissoras bandas de rock como a Monreal, que contou com a produção de Xandão e Tom Sabóia de “O Rappa”, até às novas promessas do sertanejo. Porém, Lucas argumenta: “nossa especialização é rock”.

Em uma tarde de domingo bem curitibana que alternava momentos de frio e calor, Roy Z e as integrantes da Punkake, Bacabi (voz), Lívia (guitarra) e Ingrid (baixo), receberam o Blog SINNERS (Paraná Portal) para falar sobre a correria que está sendo a produção do novo álbum, que possui canções próprias e algumas em parceria com o renomado produtor estrangeiro.

Segundo a vocalista do Punkake, o trabalho com o Roy Z foi possível após contato com o empresário da Top Link, Paulo Baron. “Ele viu a banda tocando no Sheridans, um pub de rock conhecido aqui em Curitiba e sentiu potencial no nosso trabalho. Falou que nos apresentaria a um produtor de nível internacional porque percebeu que nossa música pode agradar lá fora”, disse Bacabi.

Depois de falar sobre sua passagem por Curitiba, Roy Z revelou, também, algumas particularidades do trabalho em conjunto com o vocalista do Iron Maiden, Bruce Dickinson, o cantor do Judas Priest, Rob Halford, e citou brevemente o Rock in Rio. Ele participará do show da banda brasileira República no dia 19 de setembro.

Como surgiu a oportunidade de vir para Curitiba para produzir o novo CD da banda Punkake?

Conversei com um empresário, amigo meu. O Paulo Baron, que me disse que deveria ouvir uma banda que ele tinha encontrado em Curitiba. Escutei e adorei e disse que estava à disposição para trabalhar. Conheci as meninas e nossas agendas coincidiram agora. O nosso primeiro contato foi em dezembro. Eu gosto muito de Curitiba, onde tenho muitos amigos.

O que despertou a sua atenção no trabalho da banda curitibana?

Eu achei um estilo bem natural para mim. O new wave misturado com rock e punk, que eu gosto muito. Fui ver as Go-Go’s antes de terem contrato. Eu entendia que tipo de música era. O Paulo disse que elas tocam muito bem e que têm a necessidade de transferir o talento para o estúdio. Tomei mais conhecimento pelo Youtube e conheci melhor as canções.

Neste álbum também existem parcerias nas composições. Como foi o trabalho?

Tenho algumas canções que combinam com o estilo delas e apresentei. Elas escolheram e terminaram. Ficaram muito legais.

E você pode tocar estas músicas ou cantar?

Ainda não sei. Estamos terminando as bases. Vamos ver. A Lívia está mandando muito bem na guitarra. E ainda vamos ter a participação do guitarrista Kiko Loureiro (Angra e Megadeth). Se não for necessário, vamos respeitar a independência da banda.

O fato de você falar inglês e português facilita o trabalho com bandas brasileiras?

O inglês é a língua universal, mas não é a única. Depois o mundo terá que aprender chinês (risos). Por enquanto o inglês fala para o mundo nas músicas. Mas elas misturam um pouco de português, em três músicas.

Após sua passagem por Curitiba você vai tocar no Rock in Rio. Como vai ser o seu show?

Neste show vou tocar com os amigos do República. Eu participei do último álbum deles. Toquei no Rock in Rio já com o Dr. Sin. Ficaram sabendo que eu estava no Brasil e me convidaram. Eu aceitei. Sempre é muito bom participar deste festival.

A primeira vez que o público de Curitiba entrou em contato com o seu trabalho foi no show do Bruce Dickinson em 1997. O Iron Maiden acabou de lançar um novo álbum com uma receptividade muito boa. Você ainda tem canções com Bruce Dickinson. Esta parceria pode ser retomada?

A gente fez muitas canções juntos. O Iron Maiden vai tirar um ano e meio para fazer turnê. Começamos a fazer um novo álbum do Bruce então o planejamento mudou e começaram a fazer um novo do Maiden. O Bruce declarou que tem seis canções novas. Não sei se são as seis que fizemos porque ele não citou meu nome. Mas sempre trabalhamos juntos muito bem. Não dá para dar certeza. A palavra final é dele.

Sua parceria está presente em quase toda carreira solo do Bruce. Como vocês trabalham?

A nossa vantagem é que o nosso trabalho em conjunto é dinâmico. Somos rápidos para compor e gravar. Sabemos o que um quer do outro.

Como são feitas as letras e as músicas?

A maioria das letras é composta por ele. Eu faço a maior parte das músicas.

Quando você participou do álbum “Ressurection” do Halford, a música ” The One You Love to Hate”, que é um dueto entre Bruce e Rob Halford foi ideia sua?

Foi estranho. Quando conheci o Halford eu mostrei a música para ele. E ele não gostou. Mostrei para o Bruce e afirmei que Halford não tinha gostado. E o Bruce disse. ‘Se ele não quer esta música, dá para mim. Esta canção está demais’. Em Los Angeles, disse para o Bruce que estava gravando umas demos com o Halford. E o Bruce foi ao estúdio. Os dois são amigos de muitos anos porque o Iron fazia abertura dos shows do Judas Priest no começo da banda. E decidiram trabalhar juntos no disco. O Bruce questionou. ‘Por que você não gostou da música do Roy?’. Eles sentaram, escreveram, fizeram algumas mudanças e gravaram no dia.

André Molina: Entrevista

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