Empresário que confessou assassinato de jogador presta depoimento nesta quarta-feira

Alexandra Fernandes


O delegado Amadeu Trevisan, que investiga o caso da morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos, afirmou que não houve tentativa de estupro por parte do jogador contra Cristiana Brittes, esposa do empresário que confessou ter matado Daniel.

A partir dos depoimentos de quatro testemunhas prestados na terça-feira, ficou evidenciado que Cristiana não teria gritado por socorro e que ainda Daniel estava bêbado no momento em que foi flagrado com a mulher na cama. “As testemunhas estão esclarecendo o que aconteceu”, disse. “Para nós, o Daniel simplesmente estava na cama. Não houve tentativa de estupro. Mesmo porque o Daniel estava muito embriagado, muito aquém de realizar um estupro”.

Edison Brittes deve ser ouvido nesta quarta-feira. A defesa dele ainda diz que o empresário agiu para defender a esposa de uma suposta tentativa de estupro. Fato confirmado no depoimento de Cristiana e da filha do casal Allana Brittes. A família deve ser indiciada por homicídio qualificado e coação de testemunhas, já que eles teriam combinaram com Edison Brittes a versão a ser dada para o caso: a de que Daniel teria saído da casa pelo portão da frente, sozinho, pouco depois das oito horas da manhã.

Vão ser ouvidas também nesta semana outras três pessoas suspeitas de serem co-autoras do crime. Além do primo da família Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, de 19 anos, Igor King, de 19 anos e David Willian Villeroy da Silva de 18 anos, estariam no carro onde Daniel foi colocado e levado até uma área rural de São José dos Pinhais. Os rapazes se colocaram à disposição da polícia.

De acordo com o advogado Alan Smanhoto, que representa Igor e David, os jovens não teriam participado diretamente do crime. “Os meninos nem sequer desceram do carro”, afirmou. “Colocar eles nessa posição e explorar isso, com essa participação tão rica em detalhes, que somente os quatro poderiam dizer como foi, para nós, é algo muito gravoso”.

Para entender melhor a composição dos fatos, o promotor João Milton Salles, que acompanha o caso, foi na terça-feira até a casa da família Brittes e também a plantação de pinus onde o jogador foi encontrado. “A gente ouve os depoimentos, para fazer uma análise é bom ter um conhecimento do local dos fatos”, disse. “O que quero é apenas conhecer o local”.

Para o promotor, Daniel estava vivo quando chegou ao local, já que havia muito sangue próximo à rua, e que, onde o corpo foi encontrado não havia sangue. Ainda dentro do inquérito, um laudo feito pelo Laboratório de Toxicologia do Instituto Médico Legal de Curitiba confirmou que o jogador estava alcoolizado no momento em que foi morto.

De acordo com o exame foi detectado 13,4 decigramas de álcool por litro de sangue analisado. Com o resultado do exame, os suspeitos devem ser indiciados por este agravante, já que a vítima estava impossibilitada para se defender.

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