PF deflagra operação contra traficantes que “abasteciam” Curitiba e região

Mariana Ohde


Com Andreza Rossini

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta sexta-feira (17) a Operação Enigma com o objetivo de desarticular uma organização criminosa que atuava no tráfico internacional de entorpecentes. A droga vinha do Paraguai e tinha como destino principal Curitiba e região metropolitana. Vinte pessoas foram presas, sete delas da mesma família.

Cerca de 200 policiais cumprem 67 mandados judiciais no Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. São 37 mandados de busca e apreensão, 20 mandados de prisão preventiva e dez mandados de prisão temporária, todos expedidos pela Justiça Federal em Curitiba.

O nome da operação foi escolhido no início das investigações, quando a estrutura e a forma de comunicação do grupo criminoso ainda eram desconhecidas, segundo a PF.

“A investigação começou no início de 2016 através de investigações de um suspeito conhecido, que já havia sido preso. Conseguimos identificar a atividade criminosa dele e também fornecedores dele e comparsas de crime”, explica o delegado da PF, Vinícios de Oliveira.

O principal investigado, segundo a PF, atua há cerca de 20 anos no tráfico. Por isso, não é possível saber desde quando o esquema operava. “Ele adquiria drogas dos fornecedores no Mato Grosso do Sul, no Paraguai, na fronteira. Esses fornecedores encaminhavam a droga para cá”, explica. “Aqui, a droga era entregue para ele, que fazia a distribuição para traficantes menores”.

A droga era comercializada em grandes quantidades, segundo a PF. “Tinha gente que chegava a pegar 40 quilos”, afirma o delegado. “Essas pessoas ainda repassavam para outros, as ‘biqueiras'”. Em Curitiba, os traficantes atuavam em diversas regiões, mas se concentravam na região sul. A droga também era vendida na região metropolitana da capital.

Investigações

De acordo com a PF, as investigações identificaram um grupo criminoso “organizado e estruturado” que comprava as drogas no Paraguai e as transportava clandestinamente para o Brasil. O principal objetivo era abastecer a capital paranaense e região metropolitana.

Para burlar os mecanismos de controle e a ação dos policiais, os investigados estabeleceram um esquema de lavagem de ativos que envolvia a ocultação e fracionamento das operações financeiras, a utilização de “laranjas” para realização de negócios envolvendo bens adquiridos pelo grupo, a compra de veículos de luxo, imóveis rurais e outros imóveis de alto padrão no litoral de Santa Catarina.

“Segundo as investigações, os fornecedores da droga eram os que usufruíram dos imóveis e carros de luxo. Sete presos eram fornecedores, parte em Curitiba e parte no Mato Grosso do Sul. Todos da mesma família”, explica o delegado. Entre eles estavam dois irmãos e seus filhos. Os nomes não serão divulgados pela PF.

Outros dois fornecedores foram presos em Curitiba e em Santa Catarina. Em Curitiba, foram detidos suspeitos de comprar a droga e revender na capital e região.

A PF estima que o grupo criminoso tenha movimentado cerca de 200 quilos de cocaína e “crack” mensalmente para distribuição em Curitiba e região metropolitana.  Foram apreendidos cerca de 400 quilos de drogas, entre crack e cocaína durante as investigações.

Os investigados devem responder, entre outros crimes, por tráfico internacional de entorpecentes, associação para o tráfico, associação criminosa e lavagem de ativos. Durante as investigações foram feitas várias prisões em flagrante e apreensão de entorpecentes negociados pela quadrilha.

Entre os investigados, está um dos responsáveis por organizar o grupo, que já foi alvo de investigação por tráfico de drogas em outra ação da PF. Segundo a polícia, o investigado atua há, pelo menos, 20 anos no tráfico e já cumpriu pena de quatro anos.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal