Menino encontrado em Cascavel teria sido trazido do Paraguai

Mariana Ohde


Com CBN Curitiba e Metro Curitiba

O menino de um ano encontrado em Cascavel há duas semanas é do Paraguai. Segundo a Polícia Federal (PF), ele foi vítima de tráfico de pessoas. A principal suspeita, Maria Conceição Queiroz, conhecida como Maria Paraguaia, foi detida na terça-feira (24).

Com ela, foram encontradas mais duas vítimas: uma menina de dez anos e uma adolescente de 17 anos. Agora, o cônsul do Paraguai em Foz do Iguaçu, Jorge Antonio Coscia, deve auxiliar as autoridades brasileiras nas investigações. Segundo ele, um sistema de segurança do Paraguai pode ajudar na identificação das crianças. Desde o início do ano, quatro casos envolvendo o desaparecimento de crianças paraguaias foram resolvidos.

As autoridades paraguaias foram acionadas para ajudar a encontrar a família do menino. A Interpol também participa do caso.

A polícia também vai investigar o casal que adotaria a criança, que já foi identificado e colabora com as investigações. Ontem (25), a delegacia revelou que um casal de Cascavel havia pago R$ 700 pelo garoto de um ano, mas desistiu de ficar com a criança quando não conseguiu a documentação necessária.

“A princípio, não tem essas denúncias do Paraguai de desaparecimento, o que nos induz a pensar que essas crianças podem ter sido vendidas”, diz o delegado Adriano Chohfi, da Polícia Civil de Cascavel.

Menino encontrado

O menino foi encontrado no último dia 10 de outubro, em uma rua do bairro Cascavel Velho. A própria Maria Conceição Queiroz acionou a polícia, dizendo que havia encontrado a criança na frente de sua casa.

Após 13 dias, ninguém havia procurado pelo menino, com isso, a Polícia Civil divulgou sua foto. Após as investigações, os policiais descobriram o envolvimento de Maria. Ela se tornou suspeita de participar de uma rede de tráfico internacional de crianças. Após prestar depoimento à PF, ela foi presa em flagrante.

A audiência de custódia de Maria Paraguaia, que seria realizada na tarde desta quarta-feira (26), precisou ser adiada por um problema no sistema da PF. Ela segue detida na 15ª Subdivisão Policial de Cascavel e após a nova audiência de custódia deve ser transferida para uma penitenciária. O advogado Felipe Velozo, que defende a investigada, adianta que Maria alega inocência, mas diz que a defesa só vai se pronunciar após o fim das investigações.

As crianças estão sob os cuidados do Conselho Tutelar.

Investigação

A PF está apurando outras denúncias para determinar se há tráfico de crianças, mas diz que ainda é cedo para chegar a conclusões. “Esse tipo de situação gera uma comoção muito grande, muita gente liga para contar mentiras”, diz o delegado da PF, Mário César Leal Júnior.

O delegado diz que ainda não foi possível descobrir muitos detalhes com a menina de nove anos, que também estava na casa de Maria. “A criança está muito abalada. Não consegue se comunicar de uma forma muito clara”, afirma Leal Júnior, que afirmou, no entanto, não haver sinais de que agressões ou maus tratos às crianças.

Até ontem, oito testemunhas já haviam sido ouvidas para falar sobre o caso.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal