Apreensões de cigarros contrabandeados aumentam 32,5% no Paraná

Mariana Ohde


Com Lucian Pichetti, CBN Curitiba

Cerca de 16,7 milhões de maços de cigarro foram apreendidos no Paraná até o final do mês de setembro, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O número representa um crescimento de 32,5% na comparação com o ano passado inteiro, quando foram tirados de circulação 12,6 milhões carteiras.

De acordo com o policial rodoviário Fernando Oliveira, o aumento do contrabando e da fiscalização foram as possíveis causas do crescimento. “O que a gente pode dizer é que a PRF tem, como uma de suas prioridades, o combate ao crime na região de fronteira, mais especificamente, o combate ao contrabando. E o produto mais contrabandeado, hoje, na região do Paraná, é o cigarro”.

Nesta semana, por exemplo, a PRF fez duas grandes apreensões no Paraná. Na tarde de segunda-feira (20) uma carga estimada em R$ 1,5 milhão foi apreendida em Guarapuava. Já no final da tarde desta terça-feira (21) em Tibagi, na região dos Campos Gerais, a PRF tirou de circulação cerca de 425 mil carteiras de cigarro contrabandeadas do Paraguai. A carga ilícita foi avaliada em mais de R$ 2 milhões.

De acordo com Fernando, o crime de contrabando de cigarros se multiplica, pois a prática é lucrativa.”Cada carteira, o valor dela, de mercado, é avaliado em R$ 5. E algumas carretas conseguem transportar meio milhão de carteiras de cigarro. É uma atividade muito lucrativa e que, na avaliação da polícia, acaba financiando quadrilhas que praticam outros crimes, como tráfico de armas e drogas”, afirma.

O contrabando movimenta outros tipos de crimes associados, especialmente o roubo de carros e caminhões. “O contrabando de cigarro se alimenta do roubo de carros, especialmente nas grandes cidades do Brasil, como Curitiba. Eles são levados para a região de fronteira e são preparados para o transporte de cigarro contrabandeado. Muitas vezes, o carro fica só com o banco do motorista”, exemplifica.

Risco

Mais barato, o cigarro ilegal virou alternativa em tempos de crise. Só que os riscos para a saúde são enormes.

Um estudo feito em 2013 pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) encontrou, em cinco marcas de cigarro frequentemente contrabandeadas, insetos, areia, terra, pelos, coliformes fecais, plásticos e fungos, além de elevadas concentrações de elementos químicos como níquel, cádmio e chumbo.

Mas o risco a saúde não é o único. Também há riscos nas estradas. “Os motoristas ou não são habilitados, ou dirigem de madrugada, sem fazer pausas, com velocidade muito alta para chegar mais rápido a seu destino. Vários acidentes já foram registrados pela PRF com carros transportando cigarros, inclusive com danos frontais e vítimas mortas, muitas delas não tinham nada a ver com o contrabando”, lamenta.

Números

Entre 2010 e 2016, a PRF apreendeu 122 milhões de maços de cigarro no Paraná. Se multiplicarmos por cinco reais cada carteira o valor chega a mais de R$ 600 milhões.

Segundo uma pesquisa feita pelo Ibope em 2015, 46% dos cigarros vendidos no território paranaense são contrabandeados, bem acima da média nacional, de 30%. São impostos que deixam de ser recolhidos e que poderiam ser usados, por exemplo, para tratar os fumantes que adquirem doenças relacionadas ao consumo de cigarro.

O crime de contrabando tem pena prevista de dois a cinco anos de prisão.

 

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal