Prisões de suspeitos de assassinato dobram em Curitiba

Mariana Ohde


Com Polícia Civil e BandNews Curitiba

A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Curitiba prendeu o centésimo suspeito de assassinato deste ano. O número é mais do que o dobro do registrado no ano passado.

Por outro lado, os primeiros seis meses de 2017 terminaram com uma redução do número de homicídios na cidade de Curitiba. A queda foi de 24,4% se comparado com o primeiro semestre de 2016.

Foram 233 mortes no ano passado e 176 este ano – portanto, 57 assassinatos a menos. É o menor número de homicídios já registrados em Curitiba nos últimos 10 anos – quando a Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp), através da Coordenadoria de Análise e Planejamento Estratégico (Cape), iniciou a contagem.

“A investigação de homicídios exige rapidez, eficácia e muito embasamento”, disse o secretário da Segurança Pública do Paraná, Wagner Mesquita.

“Podemos reputar este aumento na qualidade e eficiência do trabalho da DHPP no compartilhamento de informações com a população, inclusive através do Disque Denúncia, assim como com a Polícia Militar e o serviço reservado que auxiliam a Polícia Civil com informações que permitem chegar até os autores dos crimes. E também ao trabalho da Criminalística e do Instituto Médico Legal (IML) com informações preciosas que são compartilhadas com as equipes de investigação”, ressalta.

“Isso reflete na expedição de mais mandados de prisão e consequentemente no trabalho da equipe e prisão de homicidas”, explica o delegado Fábio Amaro, da DHPP.

100º preso

O 100º detido pelo crime é um rapaz de 19 anos. Após três meses de investigação, policiais da DHPP chegaram até ele, que é suspeito de matar um casal de irmãos em julho deste ano no bairro Sítio Cercado, em Curitiba. Gilson da Silva Junior, 21 anos, e Evelin de Cássia Silva, 18, foram mortos por motivo banal, segundo a polícia.

Os irmãos passavam pela Rua Francisco Claudino Ferreira, por volta das 4h, quando presenciaram uma briga de trânsito após uma batida entre dois veículos. Gilson tentou interferir na confusão e acabou baleado pelo suspeito. Quando tentou socorrer o irmão, se colocando entre ele e o atirador, também atingiu a irmão. Ambos morreram no local.

Com o suspeito, a polícia encontrou um carregador de pistola calibre 380, três munições calibre 380, e uma munição calibre 357, além de três munições calibre 9 milímetros – o mesmo tipo usado para matar os irmãos.

Além disso, a polícia apreendeu com ele, uma pequena porção de maconha e cocaína distribuída em doze buchas, balança de precisão e R$ 657 em dinheiro. Assim, além do duplo homicídio ele será indiciado por tráfico de drogas e posse ilegal de munição de uso permitido e proibido.

Integração

O delegado-titular da DHPP, Fábio Amaro, cita alguns pontos relevantes para a estatística expressiva na elucidação de crimes. Entre eles está a integração da rede de Segurança Pública, com maior afinidade e contato com o Ministério Público, Judiciário – Primeira e Segunda Varas do Tribunal do Júri –, que são os autores envolvidos nas ações dos crimes contra a vida.

Outro fator relevante é a reativação do Dique Denúncia (0800-6431-121). Essa ferramenta de trabalho propicia às equipes subsídios do que aconteceu no local de morte em áreas nas quais há dificuldade na obtenção de informações, face ao medo de represálias.

“O terceiro ponto é a capacitação continuada do servidor da DHPP. Com frequência ministramos cursos de padronização e técnicas nas investigações, interceptações telefônicas. Esse papel desempenhado na especialização da mão de obra também tem sido preponderante na conquista desse número que tem de ser festejado pela nossa unidade”, afirmou o delegado.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal