Justiça solta sócios acusados de aplicar golpe em clientes

Mariana Ohde


Com Lucian Pichetti, CBN Curitiba

Os sócios Alexandre Prado e Fernando Prado, da concessionária Rhino Motos, foram soltos nesta quara-feira (1º) após decisão do juiz Alexandre Waltrick Calderari, da 6ª Vara Criminal de Curitiba. Eles haviam sido detidos um dia antes, na terça-feira (31) – a prisão de Alexandre é temporária, com prazo de cinco dias, e a de Fernando preventiva, sem prazo de soltura.

As prisões foram um pedido da Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon). Alexandre estava detido na Delegacia de Estelionatos de Curitiba, enquanto Fernando estava no Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropoltana de Curitiba.

O Delegado da Delcon, Wallace de Oliveira Brito conta que os irmãos foram presos porque “um deles demonstrou possibilidade de fugir da cidade, possivelmente, de ir para o estado de São Paulo” e o outro foi preso “para colher mais elementos e aferir com mais precisão a sua participação nos crimes”.

O advogado Nilton Ribeiro, que defende os empresários, contesta. “Isso em hipótese alguma aconteceu. Inclusive, quando eles foram presos, eles estavam entrando em uma reunião para negociar verbas trabalhistas. Essa hipótese foi totalmente descartada”, conta.

Ambos são acusados de aplicar um golpe em clientes de sua concessionária, em Curitiba. Eles foram alvos, no dia 24 de outubro, da operação Cavalo de Aço, que investiga os calotes no repasse de valores de vendas de motos consignadas. A loja foi fechada no mesmo dia por determinação da Justiça.

A polícia estima que mais de 100 pessoas tenham sido lesadas. Segundo o delegado responsável, Wallace de Oliveira Brito, o inquérito que investiga o esquema já trata de 50 casos, mas o número de consumidores lesados ainda pode aumentar. “Já temos agendados mais 40, e isso tem aumentado a cada dia. Nós acreditamos que passa de 100 o número de vítimas”.

De acordo com a polícia, dez clientes denunciaram que a loja vendeu motos e não repassou o valor final aos consumidores. Segundo o delegado responsável pela operação, Wallace de Oliveira Brito, o golpe era aplicado pelo próprio dono da loja, com participação de funcionários. “Eles entravam em contato com pessoas que anunciavam a venda da moto em sites na internet para sugerir a venda na própria loja”.

Desde 2013, a loja teria se apropriado de R$ 2,5 milhões dos clientes. O delegado afirma que os valores já foram bloqueados para tentar garantir o ressarcimento às vítimas. A polícia identificou possíveis contas mantidas pelos sócios em São Paulo, onde estaria sendo depositado o dinheiro das vítimas. “Nós pedimos o bloqueio das constas dessas Pessoas Jurídicas e das contas pessoais também com o intuito de ressarcir, possivelmente, estas vítimas”.

Defesa

O advogado Nilton Ribeiro, que representa os sócios, nega os crimes. Ele afirma que os irmãos haviam acabado de perder a representação da Kawasaki, tentavam readequar o negócio e que, em momento algum, foram desonestos. De acordo com comunicado oficial da Kawasaki, do dia 30 de junho, a loja foi descredenciada no dia 6 junho de 2017 da rede de concessionárias da marca. O motivo do descredenciamento não foi revelado. “Eles estavam tentando se adequar à realidade atual da empresa. Mas todos os casos pontuais que aconteceram eles estavam negociando”, afirma.

O advogado reafirma que a quantidade de pessoas lesadas é pequena. “Esse fechamento da empresa ocasionou uma situação que nunca se tinha visto. Várias pessoas tinham motos na empresa para conserto quando aconteceu. Tinha mais de 40 motos para conserto. Quando fechou a empresa, as pessoas se desesperaram, acharam que se tratava de um golpe. Por isso aquele monte de gente na delegacia fazendo Boletim de Ocorrência. Aquele montante não era real”, garante.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal