Alguma coisa anda à deriva em meio ao pavor da pandemia

Pedro Ribeiro

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Por Alceo Rizzi

Alguma coisa pode ter motivado o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a conceder entrevista ao Fantástico. Pode ser exaustão com divisão das forças a um combate ao maldito vírus da pandemia e ao mesmo tempo ao surto epidêmico de inconsequência imbatível da presidência, ou por outra razão. Mesmo o de algum eventual estímulo recebido para enfrentamento, em suposta tentativa de fazer com que haja mais dignidade no exercício do cargo de maior representação institucional da República.
Se agiu em caráter pessoal, jogou a toalha. Se não, sugere que a fronteira da irracionalidade com a paciência chega ao esgotamento institucional e que a ele tenha sido sinalizado mesmo por uma eventual corrosão na base do pretenso esteio ao qual a estupidez insana ainda julga ter amparo. A única aparente certeza é que a pandemia pode ter seu auge em companhia do acirramento de uma crise institucional já inevitável, esteja o ministro da Saúde dentro ou já fora do governo.
No mesmo dia da entrevista, em que alerta para o pico da pandemia de maio a início de junho e reforça necessidade de distanciamento social das pessoas, presidente diz em vídeo a seus devotos e de outras seitas, que o auge da doença já está passando.
Nesse delírio entre a Ciência e o primitivismo, o ministro ironicamente parece ter aceitado vacina que lhe entregaram. Ou foi apenas sinal de esgotamento e desistência.
Alguma coisa pode estar andando à deriva.

Alceo Rizzi, jornalista, escritor e publicitário

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Pedro Ribeiro
Pedro Ribeiro é jornalista com passagens pela Gazeta do Povo, Folha de Londrina e O Estado do Paraná. Foi pioneiro com a criação do jornal eletrônico Documento Reservado e editor da revista Documento Reservado. Escreveu três livros e atuou em várias assessorias, no governo e na iniciativa privada, e hoje é editor de política do Paraná Portal.