Associação condena divulgação de nomes de suspeitos da chacina em Londrina

Mariana Ohde


A Associação que representa os policiais e bombeiros militares do Paraná (Assofepar) acusa a Secretaria de Segurança Pública (Sesp) de divulgar os nomes dos policiais militares suspeitos de participação na chacina em Londrina. A Assofepar diz que vai recorrer à Justiça e alega que ocorreram ilegalidades durante a prisão dos oito suspeitos de envolvimento no crime.

A chacina aconteceu no final de janeiro. 12 pessoas foram mortas a tiros na mesma noite e pelo menos 16 ficaram feridas. A ação teria sido uma represália ao assassinato de um policial militar.

Segundo a Assofepar a divulgação dos nomes dos agentes não poderia ter acontecido, já que a investigação está sob sigilo. O representante da associação, o Coronel Edson Fernando Paredes Barroso, explica que o vazamento das informações deve ser levado à Justiça. “Estamos tomando todas as medidas que a legislação em vigor nos permite”, garante. A Associação pediu à Sesp, por meio de ofício, um posicionamento do chefe da pasta.

A Assofepar contesta também as seis conduções coercitivas realizadas – os policiais foram levados pra prestar depoimento na delegacia, o que, neste caso, segundo o coronel, seria ilegal. “Militares ativos não precisam sequer ser intimados, basta uma requisição ao comandante imediato, que tem o dever de apresentá-lo imediatamente, conforme tenha sido solicitado. Então, é desnecessária qualquer condução coercitiva de militares da ativa, desnecessário e ilegal”, afirma.

O coronel ainda explica que houve desgaste e prejuízo para os suspeitos que tiveram os nomes divulgados. “Desgaste moral, prejuízo moral, dano moral. Porque, de repente, poderão ser declarados inocentes ou serem absolvidos das acusações e aí as suas imagens já foram amplamente desgastadas”, explica.

Dois dos oito policiais presos foram indiciados por porte de munição ilegal. A dupla pagou fiança e foi liberada. Os envolvidos vão responder por homicídio qualificado e fraude processual. A Polícia Militar também instaurou processos administrativos pra apurar a situação.

SESP

Em nota, a Sesp informou que encaminhou ofício ao Comando Geral da Polícia Militar para que informe se houve abuso ou irregularidade de qualquer natureza durante o cumprimento, pela Polícia Militar, dos mandados. A secretaria pediu também um relatório sobre suposto vazamento de informações ou exposição dos presos à imprensa. A Sesp diz que vai tomar todas as medidas exigidas para a garantia dos direitos fundamentais e do pleno exercício do direito de defesa e contraditório dos agentes.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal