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Bruxo e advogados são denunciadas por extorsão e formação de quadrilha

Três alvos da Operação Lomax, deflagrada em dezembro, foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) no dia..

Redação - 04 de janeiro de 2017, 11:59

Três alvos da Operação Lomax, deflagrada em dezembro, foram denunciados pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) no dia 30 de dezembro. O ex-secretário de Trânsito de Curitiba, Marcelo Araújo, o bruxo Chik Jeitoso e o advogado Eduardo Borges são acusados de extorsão e formação de quadrilha.

Marcelo Araújo e Chik Jeitoso tiveram prisão preventiva (sem prazo) decretada pela Justiça. O bruxo está detido desde o dia 20 de dezembro no Complexo-Médico Penal, em Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.

Marcelo Araújo também havia sido preso no dia 20, três dias depois da prisão temporário conseguiu um habeas corpus, deixou a cadeia, mas voltou a ser preso. No dia em que a prisão preventiva foi decretada, Marcelo Araújo não foi localizado e passou a ser considerado foragido.

Na tarde dessa terça-feira (3), o ex-secretário se apresentou à Vara Criminal e voltou à prisão no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil.

A Operação Lomax investiga extorsão contra empresários, políticos e artistas.

Segundo o Departamento de Inteligência do Paraná, Marcelo Araújo e Chik Jeitoso promoviam denúncias falsas, e depois cobravam das vítimas para retirar as acusações do ar.

O ex-secretário de trânsito seria o responsável por intermediar as reuniões entre o “bruxo” Chik Jeitoso e as vítimas, com conhecimento sobre todo o esquema.

Ratinho do SBT

A operação foi batizada de Lomax, em alusão a Kevin Lomax, personagem do filme 'O Advogado do Diabo'. As investigações começaram em outubro e é sigilosa para preservar as vítimas.

Segundo ao polícia, Chik Jeitoso e advogado Marcelo Araújo teriam convencido uma mulher (que foi conduzida coercitivamente) a registrar um boletim de ocorrência de um fato supostamente ocorrido há 20 anos contra um empresário. A reportagem apurou que a vítima é Carlos Massa, o Ratinho do SBT.

Em troca de não divulgar suposto o caso, a dupla teria cobrado R$ 5 milhões do empresário, segundo o delegado Renan Ferreira.

"Eles angariavam uma pessoa, para registrar um boletim de ocorrência contra as vítimas, e aí fariam um acordo para que essa pessoa sumisse, não mais revelasse nenhum fato desabonador, e aí também com isso retirariam as críticas que Chik Jeitoso, no caso, o 'bruxo', divulgaria nas redes sociais", afirma.

A assessoria do empresário Ratinho informou que o apresentador não vai se pronunciar. Os advogados de Ratinho afirmam que as investigações estão em andamento e que também não vão comentar o caso.

Extorsão

A vítima em questão marcou uma reunião para esta terça-feira (20), com a desculpa de fazer o pagamento para que as prisões pudessem ser efetuadas. Segundo a polícia, há vídeos que comprovam a atuação da dupla, imagens que foram gravadas pelos advogados das vítimas.

A dupla teria ainda outras vítimas, entre empresários, políticos e até artistas de televisão. Seriam pessoas conhecidas, segundo a polícia, mas os nomes não foram revelados. Os valores pedidos, segundo a polícia, eram sempre altos.

"A participação do advogado, quando a gente analisa a relação com um cliente, nesse caso ficou clara a ideia de extorsão. Ao invés de existir uma demanda judicial o que haveria era mais delitos, mais crimes de calúnia, injúria e difamação".

"Ouvimos hoje essa senhora que fez o primeiro boletim de ocorrência e ela confirmou que ela jamais teria pedido dinheiro. O pedido de dinheiro veio do advogado e do bruxo", afirma o delegado.

O delegado Francisco Caricati afirma que cinco vítimas foram identificas. Todas foram extorquidas em valores milionários. A polícia não tem informação se algum valor chegou a ser pago aos suspeitos. "Só três fizeram denúncia", afirma.

Caricati afirma que os fatos usados como ameaças eram sempre distorcidos. "Alguns fatos estavam dentro de um contexto, outros não. Por exemplo, esse empresário, houve uma relação dele com uma mulher. Mas aí tentaram inverter uma história como sendo um caso de estupro. Envolve uma situação que não há como se confirmar isso", conta.

"Ele (o brux0) também alegava o seguinte: o empresário ficou rico frente a um trabalho de macumba dele. Aí tinha que pagar pra ele senão ia difamar ele nas redes sociais", relata o delegado da Diep.

As publicações nas redes sociais eram feitas por Chik Jeitoso, com ajuda dos filhos, que alegava ter mais de 200 contas no Facebook e Twitter.

Marcelo Araújo estaria envolvido nas negociações dos acordos, com consciência de que estava cometendo um crime, segundo a polícia. "Ele planejava e ajudava na execução da extorsão", afirma o delegado Francisco Caricati. "Ele sabia que era uma crime e mesmo assim participava", diz.

Atuação política

Conhecido por divulgar boatos e informações negativas contra políticos - em especial, nos últimos anos, contra o secretário de Estado Ratinho Junior (PSC) e o prefeito de Curitiba Gustavo Fruet (PDT) - o bruxo Chik Jeitoso faz previsões eleitorais e sobre outros temas. É figura frequente em programas locais de TV.

Marcelo Araújo é advogado, especialista em trânsito, ex-presidente da Comissão de Direito de Trânsito da OAB, e também é constantemente consultado pela imprensa, sobre assuntos relacionados ao trânsito. Sua saída da Secretaria de Trânsito do governo Ducci em 2012 foi conturbada.

Ele renunciou após uma denúncia de que acumulava infrações como motorista. Ele é colunista de um blog de política, que era praticamente dedicado a críticas ao ex-prefeito Gustavo Fruet.

Chic Jeitoso e Marcelo Araújo foram candidatos a vereador em Curitiba nas eleições deste ano. O bruxo pelo PTN e o advogado pelo PTC.