Carli Filho deixa penitenciária e será monitorado por tornozeleira eletrônica

Angelo Sfair e Francielly Azevedo

carli tornozeleira

O ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho deixou a Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG) no final da tarde desta sexta-feira (31). Ele vai para casa e será monitorado  por uma tornozeleira eletrônica. A partir de agora, por decisão da juíza Liliane Graciele Breitwisser, da Vara de Execuções Penais de Guarapuava, Carli Filho cumprirá a sentença em regime harmonizado. A mudança de regime teve o aval do Ministério Público.

Condenado a sete anos e quatro meses de prisão em regime inicialmente semiaberto, o ex-deputado ficou recolhido em uma cela especial desde que se entregou à Justiça, na terça-feira (28). Como o estado não dispõe de vagas no regime semiaberto, o chamado regime harmonizado é concedido a fim de evitar a superlotação das unidades prisionais.

Além da tornozeleira eletrônica, a juíza Liliane Breitwisser determinou outras medidas cautelares. Carli Filho não poderá sair de casa aos finais de semana e feriados. Nos dias úteis, ele tem permissão para sair de casa entre 6h e 21h. O ex-deputado estadual terá duas semanas para comprovar à Justiça que está estudando ou trabalhando. Caso não cumpra os requisitos, Carli Filho poderá ser impedido de sair de casa. Confirma as medidas impostas pela juíza Liliane Breitwisser:

a) Não queimar, quebrar, abrir, forçar, danificar ou inutilizar a tornozeleira eletrônica ou qualquer um dos acessórios que a acompanham, ou deixar que pessoa diversa o faça, sendo de sua integral responsabilidade a boa conservação do equipamento;
b) Não sair do perímetro delimitado em que possa circular, isto é, do município ou região em que declara residência, sem prévia autorização – devendo solicitar previamente à Central de Monitoração do DEPEN 0800-6432552 qualquer necessidade de saída da área e aguardar deliberação a respeito;
c) Recolher-se à sua residência entre as 21:00 horas e as 6:00 horas do dia seguinte nos dias úteis, bem como ininterruptamente aos finais de semana e feriados;
d) Comprovar atividade de trabalho ou de estudo, com o endereço do respectivo local, perante a VEP da cidade em que residir ou o Escritório Social desta comarca, no prazo de 15 dias, sob pena de conversão do recolhimento para período integral;
e) Não mudar de endereço ou de telefone sem previamente comunicar a Central de Monitoração do DEPEN 0800-6432552;
f) Comunicar a Central de Monitoração do DEPEN 0800-6432552, sempre que definido ou alterado local de trabalho ou estudo, quando houver;
g) Manter, obrigatoriamente, a carga da bateria da unidade de monitoramento eletrônico – tornozeleira – em condições de funcionamento, carregando-a periodicamente;
h) Obedecer imediatamente às orientações emanadas pela Central de
Monitoramento através de alertas sonoros, vibratórios, luminosos e contatos telefônicos, sendo obrigação do sentenciado entrar em imediato contato telefônico diretamente com a equipe em caso de dúvida sobre alerta que desconheça;
i) Retirar a tornozeleira eletrônica no mesmo local de instalação, salvo se, em contato com a Central de Monitoramento 0800-6432552, for indicado outro local;
j) Manter distância de no mínimo 100 (cem) metros das unidades prisionais da cidade onde residir (carceragem de Delegacia de Polícia e Penitenciárias).”

MINISTÉRIO PÚBLICO NÃO SE OPÔS

Ministério Público do Paraná (MP-PR) deu parecer favorável para o ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho cumprir a pena de 7 anos e 4 meses de prisão com tornozeleira eletrônica. O ex-parlamentar está preso, desde a última terça-feira (28), em uma sala separada na Penitenciária Industrial de Guarapuava, na região central do Paraná.

A justificativa do MP-PR é que não há vagas em unidade de regime semiaberto em Guarapuava. Por isso, a solução é o regime domiciliar com o uso do equipamento eletrônico. Agora Carli aguarda decisão da Justiça para ir para casa.

O Tribunal do Júri condenou Carli Filho a nove anos e quatro meses de prisão por duplo homicídio culposo. O ex-deputado causou um acidente de trânsito em 2009 e vitimou Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida, de 26 e 20 anos. Carli Filho dirigia alcoolizado, em alta velocidade, e com a habilitação suspensa por excesso de pontos.

A pena imposta pelo júri popular, no entanto, foi reformada pelo TJ-PR. Com a decisão dos desembargadores, que reduziram a pena para sete anos, quatro meses e 20 dias, o político teve o direito de progredir para o regime semiaberto antes mesmo de ser preso.

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