Cinema: estreias de “Paixão Obsessiva” e “Vida”

Caderno Gente


cinema - paixao obsessiva“Paixão Obsessiva”

100 min | Suspense, 14 anos | Veja horários e ingressos

Uma das grandes lições de vida é aquela coisa de não julgar um livro pela sua capa. Na área cinematográfica, podemos dizer que não devemos julgar um filme antes de assistí-lo. Por essa razão, quando lhe é apresentado um longa com um título clichê e um trailer que não ajuda a dissipar essa visão, você mesmo assim tenta manter uma cabeça aberta ao sentar na poltrona do cinema. Quem sabe o filme tem uma virada inesperada e uma nova perspectiva. Quem sabe o elenco consiga fazer algo positivo a partir de um roteiro ruim. Essas são possibilidades viáveis, mas definitivamente não presentes em Paixão Obsessiva.

A história do filme foca em Julia Banks (Rosario Dawson), a qual se mudou para uma pequena cidade para ficar ao lado de seu futuro marido, David Connover (Geoff Stults). David tem uma filha com sua ex-esposa, Tessa Connover (Katherine Heigl), e é nessa teia de relacionamentos que a tensão é construída. Tessa ainda ama David e acha que há chances dos dois voltarem, mas quando vê que seu ex-marido está feliz com Julia e que sua filha também está se acostumando e gostando dela, Tessa fica desestabilizada. Ela descobre que David e Julia vão se casar, e é nesse momento que seu ciúmes vira patológico. Quando Julia percebe os jogos feitos por Tessa, ela precisa se deparar com fantasmas do passado e lutar pela sua família.

Embora a trama não seja muito original, haveria espaço para criar um filme de suspense interessante. O problema é que nada realmente contribui para que o longa seja satisfatório: a direção, a fotografia, o roteiro e o elenco possuem defeitos que fazem com que o resultado final fique angustiante (no mal sentido) de ser assistido com um final, no mínimo, risível. A trama é previsível, as ações das personagens são forçadas, as cenas tentando demonstrar o desequilíbrio emocional de Tessa são muito longas e desnecessárias e seu grande plano é falho. Ele só funciona na telona porque as ações da polícia são tão falhas quanto e não condizentes com o que realmente teria sido feito na investigação. Essa seria uma ótima oportunidade para Heigl mostrar um lado diferente e sombrio ao invés daquele visto em suas comédias românticas; e de Dawson, que está arrasando nas séries da Marvel na Netflix, ser uma personagem forte mais ativa e presente. Oportunidade desperdiçada.

Paixão Obsessiva é resultado de uma ideia mediana que ficou bastante ruim. O nome original do filme é Inesquecível (Unforgettable), mas, devido a um erro após o outro, ele acaba sendo completamente esquecível.

cinema - vida“Vida”

104 minutos | Suspense, 12 anos | Veja horários e ingressos

A franquia de Alien foi revolucionária no gênero de “horror no espaço” – a história do ser galáctico que vai se desenvolvendo e matando um a um os tripulantes da nave se tornou ilustre. A tentativa de trazer a claustrofobia de estar preso dentro de uma lata de metal e o desespero da fuga dos tripulantes contra uma ameaça imprevisível, poderosa e mortal foi falha em Prometheus (2012), o que deixou os fãs da saga ansiosos pela volta às origens com o futuro Alien: Covenant. No entanto, faltando poucas semanas para o lançamento desse novo filme, Vida chega sem muito aviso e dá uma rasteira na franquia, entregando um longa com tudo aquilo que se espera de um horror espacial.

Os seis tripulantes da Estação Espacial Internacional (Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Ariyon Bakare e Olga Dihovichnaya) possuem uma missão: receber uma amostra do solo de Marte e pesquisar se há evidências de vida extraterrestre. Um organismo é encontrado em estado de hibernação e, com os estímulos certos, os pesquisadores permitem que ele se desenvolva. Com a esperança do organismo ser a resposta para muitas dúvidas biológicas e existenciais, ele recebe o nome de Calvin. Mas, como se pode esperar, Calvin cresce rápido demais e revela ser uma forma de vida não muito amigável. Quando ele foge da quarentena do laboratório, os tripulantes devem fazer de tudo para evitar que a criatura chegue até a Terra.

Vida não é um filme fenomenal da ficção científica como A Chegada ou Interestelar, mas não é esse seu propósito. Ele promete entregar 103 minutos de tensão, angustia e suspense sem que o público tire os olhos da tela do cinema, e é isso que ele faz. Um diferencial que o filme tem é a beleza visual de suas cenas. Mesmo seguindo o padrão narrativo do gênero, ele se distancia da estética obscura de outras obras e abraça as cores do ambiente que contrastam muito bem do translúcido de Calvin até o vermelho do sangue. Como o filme todo se passa dentro da estação espacial com gravidade zero, as montagens feitas com os líquidos que se tornam bolhas flutuantes e corpos inertes que permanecem no centro da cena ficam muito belas. A gravidade zero também permite explorar diferentes ângulos de câmera, fazendo com que a experiência cinematográfica fique mais rica.

O legal da ficção científica é que ela sempre nos permite fazer uma análise sobre a nossa sociedade, mesmo que brevemente. Foi muito interessante a escolha do título, que segue coerente com o original Life, e que nos faz refletir sobre os diferentes tipos de vida, a falta e desrespeito a ela e o que pode ser suas consequências. Ao colocar um nome “humano” na criatura e chamá-la o tempo todo por este nome, é criado um aspecto mais pessoal e emocional entre vida alienígena e terrestre, deixando a reflexão acerca da vida ainda mais densa.

Se você gosta desse estilo de filme e quer deixar o coração mais acelerado no cinema, pode ir com fé assistir que a trama não vai desapontar.

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*críticas de Camila Picheth, colaboração para o Gente+

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