Cliente joga pedras em loja de motos fechada pela polícia por calote de R$ 2 mi

Narley Resende


Após uma operação da Delegacia de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor (Delcon), que fechou nesta terça-feira uma loja de motos, na esquina das ruas Monsenhor Ivo Zanlorenzi e General Mário Tourinho, em Curitiba, clientes revoltados buscam informações. Um deles apareceu logo após a saída da polícia, por volta das 11 horas, e apedrejou as vitrines.

“41 mil reais. Fui lesado. O gerente da loja me ligou, contou uma história, que tinha um vendedor. Pegou minha moto, vendeu, recebeu, me pagou uma pequena parcela e aí ‘golpe’. Sumiu, não atende o telefone. Fecharam as portas aí”, reclama o cliente que pediu para não ser identificado. Ele estaria há dois meses sem receber o valor da moto vendida na Rhino Motos.

A operação policial foi chamada de “Cavalo de Aço” e investiga o calote no repasse de valores de vendas de motos consignadas.  De acordo com a polícia, dez clientes denunciaram que a loja vendeu motos e não repassou o valor final aos consumidores. As investigações apontam que o esquema lesou centenas de pessoas. Desde 2013, a loja teria se apropriado de dois milhões e meio de reais dos clientes.

O gerente de restaurante Wander Mareco ouviu na rádio que a loja onde havia deixado a própria moto para venda havia sido fechada. Ele deve procurar a delegacia para saber como reaver o veículo que vale em torno de 20 mil reais. “Minha moto é uma XJ6, modelo 2016 e eu deixei em consignação. Deixei pra venda. Ainda bem que não foi vendida”, comemora.

Outro cliente, chamado Edmilson, deixou a moto no início da manhã para revisão e quando voltou a loja já estava fechada. “Deixei a moto para revisão e fiquei sabendo (da operação) pela rádio e agora não sei o que fazer”, afirma.

Um dos clientes já negociava outro veículo em uma concessionária ao lado. Ele vendeu a moto e esperava receber o valor nesta semana. Dilmar José recebeu uma ligação da vendedora da loja vizinha que contou que a polícia estava fechando a loja de motos.

“Deixei uma moto há mais ou menos dois meses. Ela foi vendida, passei o documento, assinei, reconheci firma e eles teriam até esta semana para me pagar. Só que agora eu sou surpreendido na parte da manhã com uma pessoa que ligou pra mim dizendo ‘corre, corre, que a polícia está fechando lá'”, conta.

KawasakiDe acordo com comunicado oficial da Kawasaki, do dia 30 de junho, a loja interditada nesta terça-feira (24) em Curitiba foi descredenciada no dia 6 junho de 2017 da rede de concessionárias da marca. O motivo do descredenciamento não foi revelado. Na internet, a loja é alvo de diversas críticas de clientes insatisfeitos, que chegaram a criar uma página para denunciar calotes.

Segundo o delegado responsável pela operação, Wallace de Oliveira Brito, o golpe era aplicado pelo próprio dono da loja, com participação de funcionários. “Eles entravam em contato com pessoas que anunciavam a venda da moto em sites na internet para sugerir a venda na própria loja”, falou o delegado completando que “após a venda o dinheiro não era repassado a vítima.

Em comunicado oficial do dia 30 de junho, da Kawasaki informa que a Rhino Motos foi descredenciada no dia 6 junho de 2017 da rede de concessionárias da marca. O motivo do descredenciamento não foi revelado. Na internet, a loja é alvo de diversas críticas de clientes insatisfeitos, que chegaram a criar uma página para denunciar calotes.

Os crimes investigados na ação são relação de consumo, estelionato e associação criminosa. A Polícia ressalta que se alguém foi vítima da loja, deve procurar a delegacia.

Funcionários da loja não quiseram falar com a reportagem. A defesa dos proprietários não foi encontrada para apresentar posicionamento.

 

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