Com tiro pelas costas e arma ‘plantada’, PM vira réu por morte de jogador

Narley Resende


(BandNews FM Curitiba)

O policial militar que matou pelas costas um jogador de futebol amador em Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba, agora é réu no processo que apura as circunstâncias do crime. Eurico Gerson de Araújo Pires foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná pela morte de Gilson da Costa de Camargo, 28 anos, e o Juízo da Vara Criminal do município acatou a acusação. O PM responde por homicídio qualificado mediante surpresa – tendo dificultado a defesa da vítima, além de fraude processual. O caso aconteceu no dia 17 de julho.

A vítima foi morta com tiros nas costas, disparados pelo soldado logo depois de uma discussão que teve início durante a partida. O jogo acontecia em um campo do bairro Santa Rosa. O policial, que integra a Rotam e é lotado no 22º Batalhão, entregou a arma e alegou legítima defesa. Ele afirmou que Gilson Camargo havia ameaçado outras pessoas e reagido a tentativa de abordagem.

Gilson era casado, tinha um filho de 8 anos e trabalhava como representante comercial. Foto: Reprodução
Gilson era casado, tinha um filho de 8 anos e trabalhava como representante comercial. Reprodução

Um revólver calibre 38 chegou a ser apresentado pelo policial, com a alegação de que a arma pertencia ao homem morto. No entanto, as investigações comprovaram que isso era mentira.

O revólver teria sido ‘plantado’ com a ajuda de outro policial, no momento em que uma viatura chegou ao local para dar atendimento a ocorrência.  A conclusão é do delegado de Campina Grande do Sul, Messias da Rosa.

“Essa arma, segundo informações, foi plantada no local do crime. Essa arma foi furtada na cidade de Joinville, tendo sido ouvido do proprietário que a arma foi furtada do estabelecimento comercial há muitos anos. De acordo com as imagens colhidas no local, a vítima estava desarmada. De acordo com os laudos do Instituto de Criminalística, o disparo que vitimou o rapaz foi feito pelas costas e não há que se falar em legítima defesa. Essa tese levantada pelo delegado de polícia também foi confirmada pelo Ministério Público da Comarca que fez a denúncia e a promotoria expediu a representação pela prisão preventiva”, afirma.

No entendimento dos promotores do MP, o policial agiu com intenção de matar. Ainda de acordo com a promotoria, a Justiça também determinou a conversão da prisão de temporária para preventiva – sendo assim, agora não há prazo para que ele seja solto. O soldado Gerson está preso desde o dia 21 de julho no Batalhão de Polícia de Guarda, em Piraquara.

O Comando da Polícia Militar também abriu uma investigação interna para tratar do caso. Se condenado, o policial pode perder o cargo de forma definitiva.

Vídeo mostra revolta de amigos e familiares da vítima.

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