Começa julgamento de suspeito de matar advogada da ex-esposa

Mariana Ohde


Por Tabata Viapiana, da CBN Curitiba

Começou nesta quinta-feira (21), no Tribunal do Júri, o julgamento do empresário Vanderson Benedito Correa, acusado de matar a advogada Kátia Regina Leite. Kátia foi assassinada em 2010 com cinco tiros na cabeça quando saía de casa, no bairro Boa Vista.

O júri teve início por volta de 8h30. Serão ouvidas, ao todo, 14 testemunhas. Por isso, a previsão é a de que o julgamento só termine na próxima segunda-feira (25).

Familiares e amigos da advogada estão acompanhando o julgamento, entre eles, os três filhos. O mais velho entre eles será testemunha. A mãe de Kátia não conseguiu ir ao Tribunal do Júri por não ter condições de reviver todo o caso. A cunhada e melhor amiga da advogada, Isabel Mendes Paredes, afirmou que a família só quer justiça. “Foi um crime bárbaro, muito difícil, e vamos reviver todo aquela momento”, explica.

A diretoria da OAB Paraná também está presente. A Ordem acompanha o caso desde o início, por haver fortes indícios de que a motivação do crime foi a atuação profissional da advogada.

De acordo com Sandra Lia, presidente da Comissão de Estudos sobre Violência de Gênero da OAB, Kátia defendia a ex-esposa de Vanderson, que era vítima de violência doméstica, em um processo de separação judicial – o que teria motivado o assassinato. “Esse caso é bem emblemático porque a cliente da Kátia sofreu violência doméstica por muito tempo e a própria Kátia recebeu várias ameaças do agressor. Como ela era uma pessoa muito ativa, muito forte, ela não deu atenção a essas ameaças”, conta.

A advogada tinha uma atuação ampla na defesa dos direitos das mulheres. Mas ela mesma acabou se tornando mais uma vítima, afirma Sandra. “O fato de ela ser mulher, eu acredito que também tenha incentivado o agressor a cometer esse homicídio. A violência de gênero é justamente isso: você comete a violência porque a vítima é mulher”, explica.

Um advogado foi designado para atuar como assistente de acusação em nome da OAB ainda na fase do inquérito policial. O presidente da OAB no Paraná, José Augusto de Noronha, também acompanha o julgamento. Segundo ele, casos como esse, em que advogados são mortos pela atuação profissional, são graves e precisam ser evitados. “Não podemos admitir que mulheres ou qualquer advogado que esteja em seu exercício profissional sejam brutalmente atacados e, como no caso, tenham suas vidas retiradas em um crime chocante. Esse crime chocou toda comunidade jurídica, porque ela estava defendendo o interesse de sua cliente”, afirma.

Advogada há mais de 20 anos, Kátia Regina Leite comandou por dez anos o setor jurídico do Conselho da Condição Feminina, atuou como secretária-geral adjunta na subseção de Curitiba e, um mês antes de ser morta, havia sido aprovada em concurso para trabalhar na Paraná Previdência. Kátia era defensora dos direitos da mulher. A advogada tinha 44 anos.

A prisão preventiva de Vanderson Correa foi decretada em 2015, pela 2ª Vara do Tribunal de Júri de Curitiba. Pedidos de liberdade foram negados tanto pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) quanto pelo relator de habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A defesa do empresário nega as acusações. O outro réu do processo, Flávio Vasques Oliveto, era policial militar na época do crime. Ele está preso na Casa de Custódia de São José dos Pinhais desde 2015 e aguarda julgamento da apelação no TJ-PR.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal