Justiça impede comitiva de governadores de visitar Lula na prisão

Jordana Martinez

Duas vans com nove governadores que pretendiam fazer uma visita à Lula chegaram à superintendência da Polícia Federal em Curitiba na tarde desta terça-feira (10). A comitiva chegou a entrar na sede da PF, mas não pode visitar o ex-presidente. No início da tarde, a juíza federal substituta Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal, negou o pedido de visita.

“Eu fiquei surpreso com o fato de não termos conseguido que o ex-presidente Lula tivesse um direito respeitado, assegurado na Lei de Execuções Penais. Infelizmente mais uma decisão inexplicável, que foi tida como uma espécie de privilégio”, disse o governador do Maranhão, Flávio Flávio Dino.

Segundo a presidente do PT, a senadora Gleisi Hofmann, com a visita negada, os governadores fizeram uma carta que será entregue a Lula:

“Foi uma demonstração de respeito, de carinho. Infelizmente um direito foi tido como privilégio, o que a gente acha inexplicável. E a carta foi um gesto muito bonito que eu acho que o Lula vai ficar bem feliz”, disse.


O governador da Bahia, Rui Costa, reforçou o apoio ao ex-presidente: “estamos aqui para prestar solidariedade ao maior presidente da história do Brasil… porque ele não cometeu nenhum crime, não tem prova alguma”, afirmou.

Participam do movimento os governadores Waldez Góes (PDT), do Amapá; Tião Viana (PT), do Acre; Renan Filho (MDB), de Alagoas; Camilo Santana (PT), do Ceará; Flávio Dino (PCdoB), do Maranhão; Ricardo Coutinho (PSB), da Paraíba; Wellington Dias (PT), do Piauí; Paulo Câmara (PSB), de Pernambuco; e Rui Costa (PT), da Bahia, além dos senadores Lindbergh Farias (PT), Gleisi Hoffmann (PT) e Roberto Requião (MDB).

Pedido negado

A juíza federal substituta Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal, negou o pedido de visita. Na decisão ela considerou que “não há fundamento para a flexibilização do regime geral de visitas próprio à carceragem da Polícia Federal” e indeferiu o requerimento considerando que “deverá ser observado o regramento geral” pois é  “incabível a visitação das pessoas indicadas na petição”.

“Além do recolhimento em Sala do Estado Maior, foi autorizado pelo juiz a disponibilização de um aparelho de televisão para o condenado. Nenhum outro privilégio foi concedido, inclusive sem privilégios quanto a visitações, aplicando-se o regime geral de visitas da carceragem da Polícia Federal, a fim de não inviabilizar o adequado funcionamento da repartição pública, também não se justificando novos privilégios em relação aos demais condenados”, citou na decisão.

Os governadores chegaram a entrar na sede da PF, mas foram impedidos de fazer a visita. Do lado de fora, no acampamento em apoio a Lula que reúne mais de mil pessoas, conversaram com a imprensa

Acompanhe a coletiva dos governadores:

Pedido Judicial

O senador Roberto Requião (MDB) entrou com um pedido na Justiça para ter o direito de visitar o ex-presidente, que está detido desde sábado (7) na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Curitiba. Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão no âmbito da Operação Lava Jato, no caso do triplex do Guraujá (SP).

O pedido é endereçado ao juiz federal Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal, mas foi direcionado à juíza federal substituta Carolina Lebbos, da 12ª Vara Federal, especialidade em execução penal. A visita seria feita na tarde desta terça-feira (10). Outros onze governadores estão inclusos no pedido.

A petição foi feita pelo advogado do senador, Luiz Fernando Delazari, que diz que Requião conta com a “boa vontade” da juíza, já que se trata de um pedido coletivo das autoridades políticas.

Críticas à prisão

Nesta segunda-feira (9), no Senado, Requião criticou em Plenário a condenação e a prisão do ex-presidente.

Segundo o senador, Lula foi condenado injustamente e foi preso de forma contrária aos preceitos constitucionais. Ele mencionou a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) voltar a analisar as prisões após a condenação de segunda instância, antes de esgotados todos os recursos judiciais, como é o caso de Lula.

Roberto Requião disse que o ex-presidente não está “acima da lei”, mas também não pode estar “abaixo dela”. Ao se referir à prisão de Lula, ocorrida no fim de semana, o senador lembrou que a Constituição não pode ser modificada “por vontade de juízes”, mas apenas por decisão do Congresso Nacional, depois de ampla discussão nacional.

“Acredito que o Supremo Tribunal Federal vai validar a Constituição. Senão, estaria se transformando num tribunal de arbítrio. E, daí, teríamos de tomar providências. Não se trata de revanche, mas se trata da defesa do Estado de Direito e da defesa do próprio Congresso”, disse, afirmando ainda esperar que ministra Rosa Weber, do Supremo, confirme a opinião já expressa anteriormente quanto à prisão antes do chamado trânsito em julgado.

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Jordana Martinez
Profissional multimídia com passagens pela Tv Band Curitiba, RPC, Rede Massa, RicTv, rádio CBNCuritiba e BandNewsCuritiba. Hoje é editora-chefe do Paraná Portal.