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Corregedoria nega relação entre prisão de delegado e inquérito sobre coletes

A Corregedoria Geral da Polícia Civil nega qualquer relação entre a prisão do delegado Vinicius José Borges Martins e o ..

Narley Resende - 09 de novembro de 2016, 09:55

A Corregedoria Geral da Polícia Civil nega qualquer relação entre a prisão do delegado Vinicius José Borges Martins e o inquérito presidido por ele no caso de 'recauchutagem de coletes balísticos' das policiais do Paraná.

Preso ontem por extorsão, Martins conduziu recentemente um inquérito que indiciou o comandante-geral da Polícia Militar (PM), Maurício Tortato, por falhas em coletes balísticos das forças de segurança.

Em nota, a Adepol (Associação dos Delegados de Polícia) diz que “causa estranheza” a prisão ter sido feita pouco após esse episódio, se o caso de extorsão era investigado desde 2015. O advogado Naoto Yamasaki, que defende Martins, não se manifestou.

Titular da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam), Vinicius Martins é o responsável pela investigação de irregularidades no “recall” de 11.240 coletes balísticos vencidos das polícias do Paraná.

Uma coincidência, segundo a Adepol, é que a prisão ocorre pouco tempo depois de Vinicius Martins ter “presidido e relatado o Inquérito Policial, que culminou no indiciamento da alta cúpula da PM do Paraná e levantou suspeitas sobre a atuação do secretário de Segurança Pública” no caso dos coletes.

A Corregedoria informou, por meio de nota, que toda investigação contra o delegado está sob segredo de Justiça, mas afirma que os fatos investigados ocorreram em 2015 e 2016.

"As denúncias foram feitas diretamente na Corregedoria, por um comerciante extorquido pelos policiais" e que isso “nada tem a ver com qualquer investigação que o delegado preso tenha presidido”.

A Corregedoria ressalta que as oitivas dos comerciantes presos nesta terça-feira (8) foram acompanhadas por um promotor do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público).

De acordo com o coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, a investigação chegou agora ao Ministério Público. Os materiais colhidos na operação vão compor o processo contra os investigados.

"A investigação é da Corregedoria da Polícia Civil e o Gaeco ajudou a cumprir mandados que foram expedidos pela Justiça. Esse material colhido (nas buscas) e as demais apurações feitas pela Corregedoria da Polícia Civil vão ser repassadas ao Ministério Público por meio do Gaeco, a quem vai incumbir verificar se procede, se há evidências ou não para propositura de ação penal contra as pessoas investigadas", explica Batisti.

Investigação sobre extorsão 

O delegado Vinicius Martins e sete policiais da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições foram presos nessa terça-feira (8) de manhã por extorsão e associação criminosa. Entre os policiais civis estão um escrivão e seis investigadores.

No total, dez pessoas foram presas na ação da Corregedoria da Polícia Civil, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, o Gaeco. Foram cumpridos 23 mandados judiciais em Curitiba, Colombo e Balneário Camboriú, em Santa Catarina: dez de prisão e 13 de busca e apreensão. Além dos policiais, foram detidos dois comerciantes do ramo de fogos de artifício.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na casa dos investigados e também na delegacia. Segundo a Corregedoria da Polícia Civil, denúncias foram recebidas - em uma data não divulgada - de que nos meses de novembro e dezembro de 2015 os policiais civis teriam exigido dinheiro de empresários que fornecem fogos de artifício nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul para que não fizessem a apreensão das cargas.

Cinco casos de concussão (quando se exige propina) foram investigados – dois ocorridos em novembro de 2015 e três em dezembro do mesmo ano.

Também existe a denúncia de que os investigadores teriam exigido dinheiro do dono de uma oficina mecânica para não apreender um veículo com irregularidades.

O delegado está detido na carceragem do Cope; os investigadores e o escrivão estão na cela da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos e os comerciantes foram encaminhados para uma unidade prisional após depoimento na Corregedoria.

As prisões são temporárias, válidas por cinco dias, podendo ser prorrogadas por mais cinco ou convertidas em preventivas, sem prazo para soltura. Se condenados, a pena para cada crime praticado pode chegar a mais de 10 anos de prisão.

A Corregedoria da Polícia Civil informou que vai instaurar um procedimento administrativo interno para investigar as supostas transgressões disciplinares, podendo resultar em demissão do servidor público.

Nota da Corregedoria:

"A Corregedoria Geral da Polícia Civil informa que toda investigação está sob segredo de Justiça, mas esclarece que os fatos investigados ocorreram em 2015 e 2016.

As denúncias foram feitas diretamente na Corregedoria, por um comerciante extorquido pelos policiais, motivo pela qual, nada tem a ver com qualquer investigação que o delegado preso tenha presidido.

A Corregedoria ressalta ainda que as oitivas dos comerciantes presos nesta terça-feira (8) foram acompanhadas por um promotor do Gaeco."

Nota da Adepol:

Nota da Adepol