Curitiba terá unidade especializada na investigação de crimes de ódio

Mariana Ohde


Com BandNews Curitiba

Até o final de novembro, Curitiba terá um setor policial especializado no registro e investigação de crimes de ódio – as ocorrências de discriminação e preconceito.

A instalação da unidade, que vai ser vinculada à Delegacia de Proteção à Pessoa, é resultado de uma demanda apresentada pelo Ministério Público do Estado (MP-PR). A data para a abertura da unidade ainda não está confirmada, mas o decreto que cria o novo serviço já foi publicado em Diário Oficial do Estado.

O Paraná está entre os primeiros estados do Brasil a criar um setor especializado na Polícia Civil para atender vítimas de crimes de ódio.

Atendimento especializado

A promotora Mariana Bazzo, que coordena os Núcleos de Promoção da Igualdade de Gênero e Igualdade Étnico-Racial do Ministério Público, explica que a intenção é oferecer às populações mais vulneráveis um tratamento adequado e humanizado, além de evitar que crimes de ódio sejam registrados como outros tipos de crimes mais brandos.

Segundo a promotora, são vários os públicos que poderão ser atendidos no setor especializado da delegacia.

“O principal público atendido será a população negra, também a população que sofre preconceito religioso – adeptos das religiões de raiz africana, muçulmana, que são a maior parte das vítimas -; a comunidade LGBT, que infelizmente sofre muita violência física, por conta do preconceito; e a população de rua, que muitas vezes se torna vítima de homicídio pela motivação de ódio”, explica.

Dificuldades na contagem de casos

A dispersão dos registros dos crimes de ódio dificulta a contagem do número de casos atualmente. A promotora Mariana Bazzo conta que a criação de um setor especializado vem sendo discutida desde o início deste ano, também com a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, ligada ao Ministério da Justiça.

A tendência é de que o número de registros de crimes de ódio passe a aumentar na medida em que o serviço se tornar conhecido. O delegado titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Curitiba, Fabio Amaro, diz que hoje esse tipo de violência está disperso entre muitas delegacias.

“Os crimes que seriam raciais, de ócio, contra a população vulnerável, permaneceram difusos em Curitiba, porque nós não tínhamos um atendimento especializado para esse tipo de ocorrência”, diz.

De acordo com o delegado, o atendimento às vítimas de discriminação e preconceito vai exigir uma capacitação especial dos agentes. “É importante que o servidor tenha essa capacitação, essa especialização diferenciada tendo em vista o tipo de crime”, explica.

O planejamento inicial prevê para o setor uma equipe formada por três policiais: dois investigadores e um escrivão. A unidade será comandada pelo titular da Delegacia de Proteção à Pessoa, hoje comandada pelo delegado Jaime da Luz.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal