Delcídio Amaral joga gasolina no fogo, incrimina Lula, Dilma, não bota mão no fogo por Temer e diz que o núcleo da política vai descer para Curitiba

Redação


 

-O senador cassado Delcídio Amaral disse na noite de segunda-feira, em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é bastante crítica e que terá sérios problemas no futuro com o fechamento do cerco da Operação Lava Jato. Respondendo à pergunta da jornalista do Estadão, Eliane Cantanhêde, de qual seria o futuro de Lula, Dilma e Temer, Amaral afirma ter certeza de que Dilma Rousseff não volta mais e que deverá se aposentar, pois a previsão é de que o placar no Senado, que garantiu 55 votos para a admissibilidade do impeachment, tende a ser ampliado.

 

Em relação ao futuro do  presidente Michel Temer disse que ele tem grandes desafios pela frente, principalmente porque não tem apelo público e que terá que tomar medidas fortes, ou seja, segurar o rojão. Sobre o PT, observou que o partido perdeu o brilho e precisará passar por uma revisão e criticou o comando de Rui Falcão, dizendo que se trata de uma figura bizarra.

 

Se esquivando das perguntas em que era envolvido com questões de recebimento de propina, o ex-senador respondeu a todos os questionamentos, embora alguns tenha sido evasivo. Ele também  afirmou  que não pode “botar a mão no fogo” pela inocência do presidente em exercício Michel Temer sobre suposta conivência com o esquema de corrupção na Petrobras. “Não posso botar a mão no fogo,  não conheço bem as relações dele”, disse.

 

Para Amaral, o grosso da Lava Jato está por vir, porque deverá pegar o andar de cima, numa referência ao Palácio do Planalto e o Congresso Nacional. Disse que muitos políticos desembarcarão em Curitiba nos próximos dias ou meses. “A Lava Jato está chegando no núcleo”, observou.

 

 

Delcídio do Amaral admitiu que errou ao ter aceito a pressão do ex-presidente Lula e da presidente  Dilma Rousseff para tentar obstruir a Justiça ao tentar interferir nas investigações da Lava Jato. Ele foi preso depois de ser flagrado em áudio tentando ajudar o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró a fugir do País. “Acabei cometendo esse deslize e fui efetivamente denunciado por obstrução da Justiça”.

 

O senador cassado negou reiteradamente ter se beneficiado pessoalmente de recursos desviados no petrolão, como apontado em delações como de Cerveró e de Fernando Baiano, considerado o operador do PMDB no esquema de desvios.

A uma outra pergunta, da própria Cantanhêde, de que a presidente afastada, Dilma Rousseff o teria chamado de mentiroso pelas denúncias em delação premiada, o ex-senador foi taxativo, sustentando que tanto Lula quanto Dilma sabiam de tudo sobre o que se passava na Petrobrás. “Não existe nenhum documento, análise, no caso da compra de Pasadena, que houve um rombo de US$ 700 milhões, que não passasse por todas as esferas burocráticas da empresa e somente depois ia para o Conselho, da qual a Dilma fazia parte”. Portanto, “ela sabia de tudo”, reafimrou.

 

Segundo Delcídio Amaral, a presidente Dilma não caiu apenas pelas pedaladas, mas e principalmente pela Lava Jato e má gestão política e econômica.  Ele falou também do envolvimento de José Carlos Bumlai com o presidente Lula que poderá complicar ainda mais o ex-presidente.

 

Delcidio do Amaral disse aos jornalistas que gravava tudo e que tem provas. Ao ser questionado se ele teria enterrado gravações em uma fazenda da família, no Mato Grosso, ele disse que não poderia afirmar isso, mas tão logo levará tudo a público. Se emocionou sobre uma carta de sua filha, publicada nas redes sociais, contando o que aconteceu com a família, e admitiu seus erros.

 

Em sua entrevista, não perdeu a oportunidade para alfinetar o presidente do Senado, Renan Calheiros, a quem chama de cangaceiro.

 

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