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Polícia descarta ultrapassagem proibida como causa do acidente que matou 21

Narley Resende e Mariana OhdeSeis testemunhas do acidente entre um ônibus e um caminhão na PR-323 prestaram depoimentos ..

Mariana Ohde - 10 de novembro de 2016, 06:53

Narley Resende e Mariana Ohde

Seis testemunhas do acidente entre um ônibus e um caminhão na PR-323 prestaram depoimentos nesta quarta-feira (9) à Polícia Civil. A colisão frontal entre os veículos aconteceu na região de Cafezal do Sul, Noroeste do Paraná, no dia 31 de outubro e deixou 21 pessoas mortas e nove feridas.

Entre as testemunhas, além de quatro sobreviventes, está o motorista do ônibus Bruno Ferrarini. Ele afirma que o motorista do caminhão, que morreu no acidente, invadiu a pista contrária e causou a tragédia.

O delegado de Iporã, Adailton Ribeiro Junior, responsável pelo caso, também ouviu uma pessoa que dirigia um carro que estava atrás do ônibus momentos antes da batida. Essa testemunha deve ajudar a esclarecer o caso.

Não havia outros veículos

Depois de ouvir as testemunhas, o delegado praticamente descarta a hipótese de ultrapassagem irregular.

"Eles ainda estão muito abalados pelo acidente, mas todos relatam, de forma unânime, que não havia outro veículo na hora do acidente. Então, a ideia de ultrapassagem praticamente fica descartada, porque de fato ninguém viu nenhum outro veículo indo em direção contrária", explica.

Segundo o delegado, há dificuldade em obter informações porque a maioria das pessoas estava dormindo no ônibus na hora do acidente e lembra apenas do impacto e do início do incêndio.

Ribeiro Juinior afirma que antes da conclusão dos laudos do acidente - como o do Instituto de Criminalística e o resultado dos exames feitos pelo Instituto Médico Legal (IML) de Umuarama - não será possível concluir se o caminhão invadiu a pista contrária ou se o motorista do ônibus dormiu ao volante.

Os laudos serão anexados ao inquérito, que tem 30 dias para ser concluído, com possibilidade de ser prorrogado por mais 30.

Trauma

Mesmo acostumado com a rotina diária de tragédias que se espera em uma delegacia, o delegado afirma que ficou chocado com os relatos das vítimas do acidente. Muitas se emocionam ao lembrar do trauma e contam como lutaram para sobreviver.

"Ouvir os relatos de algumas das vítimas foi realmente impactante. Foi uma situação extremamente traumatizante para eles. E ouvir esse relato mexe com qualquer um", conta, classificando as histórias como "uma luta muito intensa para sobreviver mesmo, diante do acidente".

Acidente na PR-323

O ônibus da Secretária Municipal de Saúde de Altônia levava pacientes para Umuarama para realizarem tratamento de catarata. A maioria deles eram idosos. O caminhão envolvido no acidente era de uma empresa de laticínios, e estava vazio no momento da batida.

A colisão aconteceu durante a noite e os veículos pegaram fogo após a batida. Vinte pessoas morreram no local, uma morreu no hospital e nove ficaram feridas. Apenas um dos feridos permanece internado no hospital Cemil de Umuarama.

Foi necessário fazer exames de DNA para confirmar as identidades das vítimas. Entre os mortos, apenas três corpos já foram velados e sepultados. Outros 18 ainda estão no IML de Umuarama. Familiares esperam o resultado de exames de identificação, que devem ficar prontos em até 40 dias.

A maioria das famílias optou por fazer um velório coletivo em Altônia.

Entre os dez sobreviventes, um casal de idosos ainda está debilitado e, apesar de já ter recebido alta médica, deve ser ouvido somente na próxima semana.