Doceira acusada de envenenar adolescentes com bombons é condenada a 30 anos de prisão

Francielly Azevedo


Com Andreza Rossini

A doceira Margareth Aparecida Marcondes foi condenada a 30 anos e três meses de prisão em regime inicial fechado, por quatro tentativas de homicídio. Ela é acusada de enviar brigadeiros envenenados a adolescente Thalyta Teminski, o caso aconteceu em março de 2012, em Curitiba. A sentença foi proferida pelo Tribunal do Júri na madrugada desta terça-feira (8), na capital paranaense, ao fim do julgamento que durou mais de 12h.

O julgamento teve início por volta das 13h (horário de Brasília) desta segunda-feira (7) e durou até aproximadamente às 2h desta terça-feira.

De acordo com a decisão, Margareth pode recorrer em liberdade. Entre as obrigações, ela deve comprovar endereço e atividade lícita à Justiça a cada três meses e não pode se ausentar da região onde reside sem autorização. Além disso, a doceira está proibida de se aproximar das vítimas.

Atualmente a mulher é monitorada por tornozeleira eletrônica.

A defesa de Margareth deve pedir a nulidade da sentença, por falta de materialidade do caso.

Para o cálculo da pena, foram consideradas as ocorrências de três qualificadoras no caso da tentativa de homicídio a uma das vítimas (motivo torpe, dissimulação e meio cruel por emprego de veneno) e duas no caso das demais três tentativas (motivo torpe e emprego de veneno), conforme previsão do Código Penal. O Ministério Público do Paraná, que atuou na acusação, obteve resultado favorável em todas as alegações oferecidas.

O caso

O crime contra as adolescentes teria sido praticado, conforme a acusação, porque a doceira queria adiar a festa de aniversário de Thalyta, deixando a garota doente. Isso aconteceu porque a doceira gastou os R$ 8 mil recebidos antecipadamente pela comida, a decoração e a confecção dos convites da festa de 15 anos da jovem e não ter mais como cumprir com o prometido. Ela então teria colocado veneno de rato nos brigadeiros e mandado por meio de um taxista para a casa da adolescente.

Com a ingestão dos doces, Thalita ficou quatro dias em coma e outros sete na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

A defesa, todavia, diz que Margareth já havia trabalhado para a família em várias outras ocasiões, que ela não tinha motivos para envenenar a garota e que foi alvo de uma armação.

Em fevereiro de 2014, a juíza Mychelle Pacheco Cintra, da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri, determinou que a doceira fosse para o banco dos réus. A defesa recorreu ao Tribunal de Justiça, que manteve a decisão da primeira instância.

Margareth Aparecida Marcondes foi condenada a 10 anos e oito meses de prisão por tentativa de homicídio triplamente qualificada contra o ex-companheiro. Ela foi presa em Joinville, Santa Catarina, em 2012, mas acabou transferida para a Penitenciária Feminina de Piraquara, na Grande Curitiba, por causa do processo do envenenamento.

Em fevereiro de 2014, a Justiça autorizou que a mulher respondesse ao caso dos doces em liberdade, mas ela seguiu na cadeia, em regime fechado, devido à penalidade imposta na condenação. Em fevereiro deste ano, segundo a defesa, a doceira conseguiu progressão de pena e agora está no regime semiaberto, monitorada por tornozeleira eletrônica. A doceira hoje mora em São José dos Pinhais, também na região metropolitana da capital.

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Jornalista, formada pela Universidade Tuiuti do Paraná. Tem passagens pela TV Educativa, TV Assembleia, TV Transamérica, CATVE, Rádio Iguassu e Folha de Londrina. Atualmente trabalha no Paraná Portal e na Rádio CBN.