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Preso teria alertado que PCC planejava matar agente

O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná teve acesso a um suposto documento da Seção de Inteligência da Secretar..

Jordana Martinez - 22 de dezembro de 2016, 16:38

O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná teve acesso a um suposto documento da Seção de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Paraná no qual um preso integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC) informa, em 14/10/2016, que a facção criminosa estava preparando uma emboscada para matar agentes penitenciários do Setor de Operações Especiais (SOE) de Londrina.

O Setor de Operações Especiais é um grupo tático do DEPEN, formado por agentes penitenciários treinados para lidar com situações extremas nas penitenciárias e atua nas regiões de Maringá, Cascavel, Londrina e Curitiba.

Em coletiva de imprensa o secretário estadual de Segurança Pública e Administração Penitenciária, Wagner Mesquita, afirmou que a morte foi um fato isolado.  Ele não descarta que o crime tenha sido cometido por integrantes da facção criminosa que age dentro e fora dos presídios em todo o país, como represália pela operação de revista realizada pouco antes na Penitenciária Estadual de Londrina II.

Documento

Emboscada

O atentado foi registrado na tarde da última terça-feira (20). Os bandidos interceptaram dois carros ocupados por agentes do Serviço de Operações Especiais (SOE), do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), e dispararam inúmeras vezes. Segundo informações, eram pelo menos três suspeitos encapuzados e armados com fuzis. O agente Thiago Borges de Carvalho, 33 anos, foi baleado na cabeça e chegou a ser socorrido, mas não resistiu e morreu no hospital. O corpo dele foi sepultado ontem (quarta, 21) à tarde na cidade de Dracena, em São Paulo. Além dele, outros dois agentes – uma mulher ferida de raspão na cabeça e nas costas e um homem ferido também de raspão na barriga – foram alvejados. Eles ainda conseguiram dirigir o carro até o Hospital da Zona Sul de Londrina.

A morte do agente deixa os órgãos de segurança do Estado em alerta até que os autores do crime sejam localizados e capturados. A Delegacia de Homicídios de Londrina, responsável pelo caso, já tem algumas linhas de investigação. Equipes da Polícia Militar reforçam o policiamento na cidade e integrantes do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), e do Grupamento de Operações Aéreas (GOA), da Polícia Civil, foram deslocadas para dar apoio operacional às atividades necessárias. Além disso, nessa quarta, os presídios de Londrina suspenderam visitas, banhos de sol e atividades de educação e de trabalho por 48 horas para reduzir o contato entre parentes e presos. Em Cascavel, a transferência dos presos da 15ª Subdivisão para a Penitenciária Estadual está mantida porque a unidade será demolida.

A polícia pede que qualquer informação que possa ajudar na apuração deve ser repassada pelo Disque-denúncia 181, sob a garantia de anonimato.

Outro lado

Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública informa que o setor de inteligência do Departamento Penitenciário do Paraná recebe diariamente informações que são analisadas e são repassadas à chefia do próprio órgão de inteligência para posterior tomada de decisões internas. Há casos, por exemplo, em que o servidor é removido da unidade em caso de eventuais ameaças.

"O Depen vai comentar o caso no momento oportuno para não atrapalhar as investigações policiais. Todas as forças de segurança do Estado do Paraná estão unidas agora para identificar e prender os responsáveis pela morte do agente penitenciário na cidade de Londrina", diz a nota.

A Sesp salienta, ainda, que foi na atual administração da Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária que foi criado o Setor de Inteligência do Depen, bem como a difusão, o treinamento e o repasse de equipamentos adequados a profissionais que compõem o Serviço de Operações Especiais (SOE), fazendo o possível para garantir melhores condições de trabalho para que os profissionais possam exercer as atividades inerentes à sua função.

Apenas em 2016, a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciárias do Paraná repassou ao Depen – ao qual está ligado o Serviço de Operações Especiais (SOE) – 60 pistolas calibre 40, 12 carabinas calibre 40, 200 armas calibre 12, R$ 109 mil em munição e R$ 650 mil em munição não letal. Tramita na Sesp um processo para aquisição de novos veículos para o Depen, informa a secretaria