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Em depoimento, Bendine nega favorecimento à Odebrecht ou qualquer outra empresa

Com Júlio César LimaEm quatro horas de depoimento na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), o ex-..

Roger Pereira - 31 de julho de 2017, 20:40

Com Júlio César Lima

Em quatro horas de depoimento na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR), o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, Aldemir Bendine negou qualquer obstrução à Justiça e disse que não beneficiou empresas durante suas gestões à frente das estatais.

Após o depoimento, o advogado de Bendine, Pierpaolo Bottini afirmou que seu cliente afirmou que não favoreceu empresa alguma durante suas gestões tanto no Banco do Brasil quanto na Petrobras. "Na Petrobras ele (Bendine) manteve ativa todas as restrições à própria Odebrecht e em nenhum momento ele beneficiou quem quer que seja. Esse alongamento (Odebrecht Ambiental) não foi dado apenas pelo Banco do Brasil, mas por oito bancos diferentes, era uma política universal que foi concedida por diversas instituições financeiras, não teve nenhum tipo de tratamento privilegiado", disse.

Sobre uma possível pressão sobre um motorista do Banco do Brasil, que o havia ameaçado denunciar, Bottini também refutou. "Essa é uma história de 2013 e em nenhum momento ele fez isso. Era um motorista que resolveu lá trás fazer algumas denúncias, foi comprovado que essas denúncias não tinham nenhuma sustentação, a Polícia Federal acabou afastando-o pelas ilicitudes e o Bendine entrou com uma queixa-crime contra o que ele havia dito, não havia nenhum tipo de ameaça".

Bendine também explicou algumas anotações encontradas em seu poder que diziam respeito a uma viagem de Ano Novo feita aos Estados Unidos. Bottini disse que toda a ação foi legal.

"Ele tinha relação com os irmãos, o irmão do André era operador, tinha agencia de turismo e em Nova Iorque ele acabou adiantando um pagamento em um hotel, até porque era uma reserva, eles tinham uma relação, ele adiantou e isso foi reembolsado ao Antônio pelo próprio Aldemir Bendine. Ele (Bendine) disse em depoimento, esse comprovante ele não tinha no momento, mas se comprometeu a mostrar esse comprovante", disse.

Bottini também mencionou que durante o depoimento não foram questionadas algumas anotações de Bendine. "Existiam anotações, até porque era presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, ele tinha uma série de anotações sobre os pedidos que eram feitos, mas em nenhum momento esses percentuais dizem respeito a propina. Eram documentos e anotações e ele trouxe para a casa dele, ele trouxe e não havia revisto", comentou.

Bottini ainda descartou qualquer ligação de seu cliente com Lucio Funaro, operador do PMDB. "Bendine não conhecia e não tinha nenhum contato com Lucio Funaro", ressaltou.

O advogado também rebateu a possibilidade de que Bendine venha a obstruir o trabalho da Justiça. "Ele se apresentou no Ministério Público, abriu mão de seu sigilo fiscal, abriu mão do seu sigilo bancário, se dispôs a prestar depoimento, acho absolutamente desnecessária esta prisão, o passaporte está retido e o que ele faria era uma viagem de turismo, portanto não há necessidade dessa cautelar em preventiva. Ele procurou o Ministério Público e se colocou à disposição para todos esclarecimentos que se fizerem necessários", disse.