Empresário suspeito de desviar R$ 10 mi do Banco do Brasil se entrega à polícia

Narley Resende


Um empresário de Goiás, suspeito de envolvimento em um esquema que teria desviado R$ 10 milhões do Banco do Brasil, se entregou à Polícia Civil de Curitiba na manhã desta segunda-feira (23). Além dele, ex-gerente de uma agência do banco no Centro de Curitiba e outras quatro pessoas foram alvos da Operação Sangria, da Delegacia de Furtos e Roubos (DFR) da capital paranaense. A operação deflagrada na última terça-feira (17) ainda procura um outro empresário foragido.

Demitido em junho do ano passado, após o próprio banco descobrir a fraude, o ex-gerente da agência da Rua Comendador Araújo, em Curitiba, está entre os presos, junto com dois contadores e dois empresários.

Segundo a polícia, o esquema criminoso contava com a participação dos dois contadores, que são irmãos e sócios. Entre 2015 e 2016, eles abriam contas bancárias sem o conhecimento dos donos de empresas e com documentos falsos.

Os dados eram repassados para o gerente da agência que realizava empréstimos financeiros e antecipações de títulos. A polícia afirma que o ex-gerente da agência chegou a alterar o cadastro de empresários no sistema do Banco do Brasil, sem que eles soubessem, para que as transferências bancárias fossem realizadas. O dinheiro desviado era transferido para contas de empresas envolvidas com a organização criminosa.

O próprio banco fez a denúncia depois de demitir o gerente da agência. Ele trabalhava havia 17 anos na instituição. De acordo com o delegado Matheus Laiola, os desvios ocorreram por pelo menos dois anos. “A gente tem como os maestros dessa empreitada criminosa o ex-gerente geral de uma das agências aqui de Curitiba e um contador. O contador – que era contador de todas as sete empresas investigadas – adulterava documentos para conseguir a abertura de contas junto ao ex-gerente geral”, afirma o delegado.

As empresas investigadas, algumas delas de grande porte, são a Vale do Sul; Rios & Associados; Vgel Geral Eletroquímica; Backdom Ltda; Multiagrícola Comércio Atacadista; TM Esportes; e Sttallyon Indústria e Comércio.

O delegado afirma que apenas o banco foi lesado. Segundo o delegado, alguns sócios das empresas investigadas não tinham conhecimento do esquema e também podem ter sido lesados. “Sócios que não sabiam dos desvios”, aponta.

As prisões são temporárias. A polícia tem indícios de que os investigados tentaram coagir testemunhas para que mentissem. Depois da coleta dos depoimentos dos presos, a delegado vai decidir se pede a prorrogação das prisões temporárias ou conversão em preventivas, caso entenda que os suspeitos podem atrapalhar as investigações.

A ação policial, batizada de “Sangria”, foi realizada no Paraná, São Paulo, Goiás e Brasília.

Por meio de nota, o banco afirma que o ex-gerente foi demitido por justa causa após a descoberta da conduta.

“O Banco do Brasil informa que, após identificar indícios de irregularidades, concluiu investigações da auditoria interna que resultaram na demissão por justa causa de um funcionário, em junho de 2016, e na apresentação de notícia crime à polícia. O Banco do Brasil colabora com as investigações policiais para que todos os fatos sejam esclarecidos”. 

As defesas de investigados foram questionadas na delegacia, mas não quiseram se pronunciar.

 

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