Escola cristã era usada para lavar dinheiro de fraude, diz polícia

Narley Resende


Quatro pessoas foram presas em uma operação da Delegacia de Estelionato, na manhã desta segunda-feira (6), suspeitas de integrar uma quadrilha que realizava vendas falsas de máquinas hospitalares e lavagem de dinheiro em uma escola cristã de Curitiba.

A Operação Evangelium (mesmo nome do colégio) também cumpriu sete mandados de busca e apreensão nos bairros Portão, Água Verde, Novo Mundo, Fazendinha, Cajuru, em Curitiba; além um em Colombo, região metropolitana. Dois veículos e documentos foram apreendidos.

De acordo com as investigações, os principais alvos do grupo investigado eram clínicas médicas e médicos que comprariam mercadorias da quadrilha. A estimativa é de que a quadrilha tenha desfalcado as vítimas em mais de R$ 1 milhão. Quatro vítimas, com prejuízos confirmados, estão relacionadas no processo.

O grupo se dizia importador, segundo a polícia, e realizava vendas de máquinas hospitalares. Os produtos, porém, nunca eram entregues.

Lavagem de dinheiro em escola cristã

O nome da operação faz referência ao nome do Colégio “Evangelium”, empresa da esposa de um dos líderes da quadrilha, segundo a polícia, que era usada para lavar parte do dinheiro.

Segundo o delegado Wallace de Oliveira Brito, a escola foi usada para lavar o dinheiro arrecadado com falsos negócios, além de dar credibilidade às negociações.

“A investigação apurou que há pelo menos um ano essa quadrilha atua. Usando sua credibilidade como titular de um colégio, com certo prestígio na capital do Estado, ela fazia contato com pessoas interessadas em adquirir equipamentos de diagnóstico por imagem, entre outros produtos. Se dizendo agente de importação, enganava as vítimas dizendo que esse material encontrava-se já nos portos secos de Curitiba e que faltava apenas algum entrave para liberação”, afirma o delegado.

Segundo a polícia, as máqunas hospitalares negociadas não existiam. “Ele (o líder da quadrilha) recebe por isso, uma grande parte do dinheiro, e depois ficava enrolando a pessoa, querendo dar um formato jurídico de suas ações para, na verdade, se locupletar ilicitamente”, afirma Wallace Brito.

O dinheiro seria lavado por meio de contas da escola. “Os valores recebidos por essa empresa passou pelas contas desse colégio”.

Outro lado

Em nota oficial, a direção da Escola Evangelium se disse surpresa com a investigação.

“Tendo em vista as notícias publicadas na imprensa nesta manhã do dia 06 de março de 2017 a diretoria executiva e pedagógica do Colégio Evangelium, vem por meio desta nota publicar oficialmente aos pais, autoridades e imprensa nossa nota de repúdio e surpresa em relação ao caso “Operação Evangelium”. A escola fundada há 15 anos, foi comprada por novos mantenedores em 2014, estes, citados no caso “Operação Evangelium”. Toda a diretoria e colaboradores reafirmam a surpresa e desconhecimento dos atos relatados na imprensa e já se colocou à disposição para colaborar com as autoridades policiais no que for necessário do decorrer da investigação. As atividades do colégio seguem conforme sua rotina normal, sem afetar o dia a dia dos alunos enquanto aguardamos o parecer das autoridades e as próximas informações”, diz a nota.

Veja a nota oficial.

Matéria atualizada às 9h desta terça-feira (7).

 

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