Estreia da semana: ‘Alien: Covenant’ continua a viagem de Prometheus

Guilherme Grandi


Por Camila Picheth, especial para o Gente+

alien-covenant-poster-desktop‘Alien: Covenant’

122 min | Ação, 16 anos | Veja horários e ingressos

Depois de 15 anos com a franquia cinematográfica de Alien parada, a estreia de Prometheus em 2012 foi algo bastante animador. No entanto, quem foi esperando assistir um filme com as mesmas características dos quatro anteriores se desapontou; a trama procurava explorar um quadro mais mitológico e reflexivo de seu próprio universo. Mesmo com defeitos grandes de roteiro, a trama conseguiu trazer a nostalgia da saga que começou em 1979 e explorar todo um território que até então era desconhecido. Com a confirmação de uma sequência garantida, a produção acabou por trocar o nome de Prometheus para Alien, deixando mais uma promessa de retornar às suas origens. Infelizmente, o resultado disso é uma grande bagunça que continua com os mesmos erros do filme anterior e acaba com a mitologia criada. Sem medir palavras, é um desastre.

A trama do novo Alien traz a nave colonizadora Covenant em trajeto ao planeta Origae-6, mas os tripulantes oficiais da nave são despertados antes de chegar ao seu destino devido a um acidente que atingiu a nave. Após feitos os consertos necessários, a equipe capta uma transmissão de um planeta próximo que supostamente teria o necessário para o desenvolvimento humano e, no lugar de seguir com os 2 mil colonos à bordo para o lugar que foi estudado e feito todo um planejamento para colonização, a tripulação decide ir conferir esse planeta desconhecido. Esse é o primeiro ato incoerente da trama, mas definitivamente não é o último. Vemos a partir de então uma série de ações mal pensadas de um roteiro preguiçoso.

A falta de profissionalismo das personagens desse filme é uma coisa impressionante. Parece que ninguém foi treinado para situações estressantes que a nave poderia encontrar em seu longo trajeto ou nem mesmo nas situações prováveis de suas próprias ocupações profissionais. No primeiro sinal de perigo todos se desesperam e cometem erros amadores. Se isso não fosse o suficiente, todos da tripulação são um casal. Todos. Nada de ter seus cônjuges junto com os outros colonos, era necessário que os casais fossem ativamente parte da tripulação oficial da nave. Isso faz com que a grande parte das ações mal pensadas sejam devido a um conjugue tentando salvar o outro. A vida das 2 mil pessoas presentes na Covenant não significa nada para essa gente.

As referências ao filme de 79 são várias, mas de Alien mesmo esse filme só possui a abertura e 15 minutos do final. De resto são as características ruins de Prometheus. A mitologia que o prequel criou foi abruptamente deixada de lado e o foco ficou na perversão mental de uma personagem. As atuações em geral possuem a qualidade do roteiro, e a tentativa de criar uma nova Ripley é trágica. Quem salva um pouco da trama é Michael Fassbender, que reprisa belamente seu papel como androide e é responsável pela reflexão acerca da humanidade, criação e perfeição.

Se você gosta do gênero do terror espacial, é melhor ir assistir Vida. Se você gosta da história do universo Alien, vá assistir por pura curiosidade desprendida de expectativas. Com a reciclagem de filmes e tramas cada vez maior em Hollywood, é uma pena ver que um ícone tão grande da ficção científica tenha seguido por esse caminho. Todas as ideologias, todas as quebras de regras foram deixadas para trás, e temos apenas um filme para preencher lacunas.

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