Estudante morto em escola ocupada não usou drogas, diz laudo

Fernando Garcel

Com Narley Resende

estudante que morreu dentro de uma escola ocupada em outubro, em Santa Felicidade, não estava sob efeito de drogas de acordo com laudo toxicologico. Na época, o secretário de Segurança Pública do Paraná Wagner Mesquita afirmou que o estudante estava sob efeito de entorpecentes.

O estudante Lucas Eduardo de Araújo Mota, de 16 anos, “estava limpo”, conforme o jargão policial, quando foi atingido e morto por um colega, com uma faca, no dia 24 de outubro dentro do colégio Safel – uma das mais de 800 escolas públicas paranaenses que estavam ocupadas contra a reforma do ensino médio por meio de medida provisória.

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A jornalista Janaína Garcia, do UOL, teve acesso ao laudo toxicológico oficial assinado pelo perito Eduardo Rodrigues Cabrera. O documento é datado do último dia 3 e informa que não foram detectados na amostra de sangue da vítima, nem álcool etílico, nem cocaína, nem qualquer outro tipo de droga.

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A constatação da Polícia Científica sobre a não utilização de drogas sintéticas bate de frente com declaração dada no dia do crime pelo próprio secretário Wagner Mesquita. Em uma entrevista coletiva convocada cerca de uma hora depois de o IML retirar o corpo do adolescente da escola, Oliveira afirmou que a morte do garoto havia sido uma “tragédia presumida” praticada por outro menor de 18 anos. Segundo o secretário, ambos teriam usado uma droga sintética conhecida como “balinha” e se desentenderam no interior da escola ocupada. O resultado apontou que a análise do sangue não constatou “a presença de anfetaminas e metanfetaminas, como o ‘ecstasy’.

O crime chocou o Estado e enfraqueceu o movimento de ocupação das escolas. O governador Beto Richa, do PSDB, utilizou o fato como argumento para obter a reintegração de posse de unidades tomadas pelo movimento estudantil. A própria Justiça paranaense citou o episódio na ordem de reintegração, três dias depois do assassinato, o classificou como “inaceitável” e justificou, a partir do crime, a necessidade de “medida urgente de desocupação, inclusive para se evitar que outras tragédias acabem por ocorrer”.

Em nota enviada para o UOL, a Secretaria de Segurança Pública do Paraná afirmou que “as informações sobre o uso da droga sintética foram repassadas em depoimento prestado à equipe policial pelo autor do crime, no mesmo dia, e por testemunhas que estavam no local.” De acordo com a nota, “os exames necessários, feitos pela Polícia Científica, foram anexados ao inquérito, cabendo posterior manifestação do caso pelo Ministério Público e Poder Judiciário”. A secretaria não respondeu se o secretário vai se retratar pela declaração, como pedido pela mãe da vítima.

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