Estudo liga crime fronteiriço à carência de oportunidades

Narley Resende


Palcos frequentes de notícias sobre apreensões de contrabando e drogas, seis municípios brasileiros na fronteira com o Paraguai foram alvo de um estudo que identificou problemas semelhantes em todos eles.

Feita pelo Idesf (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras) em Foz do Iguaçu e Guaíra (PR), Ponta Porã, Mundo Novo, Paranhos e Coronel Sapucaia (MS), a pesquisa revela que as cidades têm PIB per capita abaixo da média nacional e desemprego muito maior do que centros como São Paulo e Rio de Janeiro.

Para a PF (Polícia Federal), a falta de oportunidades no mercado formal e a grande oferta de ‘vagas’ no crime são um terreno fértil para recrutar pessoas.

“Muitos são levados ao crime porque ele oferece uma renda informal razoável comparada às atividades disponíveis”, avalia Algacir Mikalovski, presidente do SinDPF-PR (Sindicato dos Delegados de Polícia Federal do Paraná).

Os municípios alvos do estudo, em especial os pequenos, chegam a ter mais de 90% de dependência financeira dos Estados e da União, o que indica falta de atividade econômica que gere arrecadação local. Nessas cidades, o setor público costuma ser o maior empregador.

“Essas são regiões isoladas e com poucas oportunidades em termos de emprego e geração de renda”, diz Luciano Barros, presidente do Idesf.

Para Mikalovski, é preciso romper esse isolamento para fazer frente à criminalidade. “A solução é o desenvolvimento uniforme da região, com indústrias e empresas. Sem um plano como esse, somente a repressão ao crime não resolve”, defende.

Sem título

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="395824" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]