Feminismo ‘pop’: o que mudou para as mulheres?

Guilherme Grandi


Do Metro Jornal

Em 2014, a cantora Beyoncé se revelou como feminista em seu show nos VMA’s. Taylor Swift e seu “esquadrão” de amigas fizeram o mesmo. Enquanto isso, a atriz Emma Watson dava um discurso emblemático na ONU e começava a impulsionar a campanha “He For She” (Eles por elas). Ela, ao lado de atores como Tom Hiddleston e Benedict Cumberbatch, usavam camisetas nas quais se lia “This is what a feminist looks like” (É assim que uma feminista se parece, em tradução livre). Já o diretor criativo da Chanel, Karl Lagerfeld, há três anos fez um desfile em Paris com modelos segurando banners e cartazes. Mais recentemente, em fevereiro, a senadora democrata Elizabeth Warren, apesar das tentativas de silenciá-la vindas dos senadores republicanos, fez um discurso do qual surgiu o lema “Nevertheless, she persisted” (Apesar de tudo, ela persistiu, em tradução livre).

O feminismo está aí, com tudo, depois das ondas dos anos 70 e 80, quando contou com figuras como Gloria Steinem, que agora aparece em revistas do tipo Harper’s Bazaar, e é entrevistada por Lena Dunham, criadora da série “Girls” e co-criadora e autora do portal “Lenny”, no qual a atriz e cineasta se define como “a voz” do feminismo moderno.

‘Feminazis’ e ativismo

Apesar do barulho de Hollywood, as feministas ainda lutam por explicar a natureza do movimento e suas demandas por igualdade de gênero, e ainda se opor a movimentos que visam a desmerecer essa luta, chamando as feministas de “feminazis” (analogia ao nazismo).

Este é apenas um dos pontos do complexo debate que cerca o feminismo, dividido por outras especificidades e discursos, e apoiado pelas celebridades.

“[Ter o apoio de celebridades] é uma tendência do resultado do processo histórico do feminismo. Mas é importante perceber que o feminismo é popular entre as mesmas pessoas: consumidores altamente informados, com opiniões políticas e um nível de formação acadêmica considerável. E todos consumidores da cultura pop, que é a que mais transforma e influencia as pessoas. É muito difícil escutar um grupo de engenheiros heterossexuais de uma empresa de sistemas falando de feminismo ou do pop. Já as mulheres, em diferentes âmbitos sociais, têm acesso ao pop e, consequentemente, ao feminismo, vindo de Kim Kardashian, Miley Cyrus, Beyoncé, entre outras”, ressalta Edward Salazar, sociólogo especialista em cultura pop da Universidade Nacional da Colômbia.

Mais do que o Twitter

“As redes sociais não começaram o feminismo. Nós estamos nisso há 50 anos, nos conectando umas com as outras sem a necessidade do Facebook ou Twitter. Praticamos o ativismo por meio das redes e por meio de outros métodos já faz muito tempo. As redes nos servem para expressar nossas ideias em nível global e ver o que está acontecendo no mundo. Mas não foi com elas que isso tudo começou”, afirma Musimbi Kanyoro, presidente da organização Global Fund For Women, que ajuda mulheres em 171 países.

“Pode ser que algumas mulheres não sintam que os problemas de outras mulheres as afeta, mas elas têm muitos problemas em comum. E é aí que levantam suas vozes. Mas ainda falta ativismo e ações pontuais”, disse.

E mesmo com o número enorme de mulheres que compareceram à Marcha das Mulheres nos Estados Unidos, havia algo por trás. Mulheres como Simone de Beauvoir e movimentos como o da queima de sutiãs nos anos 60 abriram caminho para o um milhão de mulheres que protestaram contra o presidente Donald Trump.

Nem tudo se resolve com uma camiseta estampada, mas todos têm a chance de tomar pequenas atitudes, dentro e fora de casa, que podem ajudar. E apesar do apoio público de Hollywood, o feminismo ainda irá travar muitas batalhas nas quais a “ajuda” de Hollywood não servirá de nada.

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