Fraude na Copel existe há quase 10 anos e movimentou cerca de R$ 7 milhões, diz delegado

Fernando Garcel


Em coletiva de imprensa, o delegado coordenador do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), Renato Bastos Figueiroa, afirmou que o esquema de corrupção envolvendo empresas prestadores de serviços para a Copel ocorria desde 2008 e movimentou cerca de R$ 7 milhões. A Operação Curto Circuito cumpriu dez mandados, sendo três de prisão, dois de busca e apreensão e outros cinco de condução coercitiva em Cascavel, Laranjeiras do Sul e Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.

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De acordo com Figueiroa, a polícia acompanha os investigados há cerca de um ano e nasceu por intermédio da própria Copel. A estatal elaborou uma auditoria interna e acabou detectando irregularidades em 12 contratos entre a fornecedora de energia e seis empresas de Cascavel e de outras cidades.

O esquema de corrupção contou com a participação de um ex-funcionário da Copel, Wellington Cesar Nunes, que era responsável por fiscalizar os contratos dessas empresas. As empresas eram contratadas pela estatal para serviços diversos, entre eles o de instalação de postes. O então funcionário adulterava os relatórios de serviços para que as empresas recebem a mais. “O funcionário, em conluio com os empresários, dizia que foi feito a mais. Fazendo com que a empresa ganhasse mais”, declarou o delegado.

Segundo Figueiroa, Wellington Cesar Nunes foi demitido da Copel após o resultado da auditoria interna que teria ocorrido há cerca de um ano. A desconfiança teria surgido após um conflito interno entre colaboradores que chegou até os superiores. “Eles fizeram auditoria em contratos onde esse funcionário era o fiscal”, disse o delegado. “Nossa investigação se ateve a esses 12 contratos. Confirmando esses pagamentos das empresas para o funcionário [por meio da quebra de sigilo bancário], nós entramos com o mandado de busca e de prisão”, afirmou Figueiroa.

De acordo com o delegado, o funcionário teria recebido mais de R$ 156 mil em dois anos apenas de duas empresas. Entre 2013 e 2014, a movimentação de crédito foi quatro vezes maior do que a declaração de rendimentos dele.

Questionado sobre o papel da estatal e sobre como o funcionário conseguiu manter o esquema de corrupção por quase 10 anos, Figueiroa garante que a empresa foi vítima. “Ela [a Copel] foi enganada por esse funcionário. A ele caberia zelar pela boa execução do contrato, mas na verdade ele desvirtuou isso em favor dele e em razão disso recebeu uma contraprestação das empresas”, disse o delegado.

Crimes

Os envolvidos vão responder por crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e organização criminosa. Segundo as investigações, as empresas que mantém contratos com a Copel não fraudaram as licitações.

Agora, a polícia colhe depoimento dos presos e dos que foram conduzidos coercitivamente para verificar o envolvimento de mais pessoas no esquema. “As investigações podem se abrir para outras empresas e pessoas”, garante Figueiroa. Após esse processo, a polícia deve investigar o destino do dinheiro e solicitar o bloqueio de bens.

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