Ex-prefeitos e empresários na mira de operação contra fraude no transporte

Roger Pereira


Dentre os alvos de mandados de busca e apreensão e condução coercitiva da Operação Riquixá, do Grupo de Atenção Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), contra fraude em licitações do transporte público em, ao menos, quatro cidades, estão os membros das famílias Gulin e Constantino, cujas empresas são detentoras dos contratos de transporte em Guarapuava, Foz do Iguaçu, Maringá e Brasília, além dos ex-prefeitos de Guarapuava, Fernando Ribas Carli, e de Foz do Iguaçu, Paulo MacDonald Ghisi, que administravam as cidades na época da licitação.

O coordenador do Gaeco, procurador Leonir Battisti, explicou que, neste momento, foram alvo de mandado de prisão preventiva as seis pessoas diretamente responsáveis pelas fraudes nas licitações. “As pessoas presas são vinculadas à organização desta fraude, não aos empresários beneficiados, mas os que efetivamente fraudaram o processo licitatório moldando as concorrências para beneficiar as empresas”, disse.

O Ministério Público também recolheu documentos, computadores e celulares nas casas e escritórios dos empresários. O procurador adiantou que eles poderão ser denunciados por organização criminosa, crime contra a economia popular, crime contra a ordem econômica e corrupção.

Segundo o procurador, os grupos agem ou em parceria ou dividindo mercado, participando com empresas que no fundo pertencem a eles mesmos e que são complexamente divididas na sua propriedade. “O aspecto principal é que as empresas contratadas para modelar a concorrência e observamos que essas empresas também tinham relação com esses dois grandes grupos. Essas licitações eram dirigidas para que essas empresas ganhassem o contrato com o poder público”.

Questionado se o fato de as empresas terem fraudado licitações em quatro municípios, de acordo com a investigação, não torna suspeita a participação delas em outras cidades, como Curitiba, Battisti afirmou que “Curitiba não é alvo desta operação. Não há, no Gaeco nenhum procedimento envolvendo a licitação do transporte de Curitiba”.

O relatório da CPI do Transporte Público da Câmara Municipal de Curitiba, que apurou uma série de irregularidades no contrato e recomendou nova licitação foi encaminhado para o Ministério Público. “Mas não para o Gaeco”, salientou Battisti.

O coordenador do Gaeco concluiu a entrevista dizendo que tem se tornado comum empresas que deveriam ser concorrentes se unirem para fraudar licitações, com a participação de agentes públicos. “Lamentavelmente é bastante costumeiro. A suposta liberdade de mercado no Brasil acaba sendo viciada neste acordo que divide o mercado, prejudica o órgão público e, consequentemente, a população”.

Operação Riquixá

Seis pessoas foram presas na manhã desta quarta-feira (29) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na Operação Riquixá II que apura a existência de organização criminosa no segmento de concessão de transporte coletivo urbano no Paraná.

A operação foi realizada em Guarapuava, Foz do Iguaçu, Maringá, Ponta Grossa e Curitiba, no Paraná, e em cidades de Santa Catarina e São Paulo e também no Distrito Federal, com apoio do Gaeco desses locais.

Foram presos preventivamente, sem prazo para soltura, o advogado Sacha Reck, o pai dele, Garrone Reck, Alex Reck, irmão de Sacha; e os advogados Antonio Carlos Marchetti e André Vinicius Marchetti, da empresa Logitrans, e Fábio Miguel, responsável pela empresa Turin.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal