Guarda acusado de matar duas pessoas sofre de ‘distúrbios psicológicos’, diz defesa

Fernando Garcel


O guarda municipal Ricardo Leandro Felippe, preso na terça-feira (4) em São Paulo após ter assassinado duas pessoas e ter ferido outros três, foi apresentado à imprensa na sede da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, no Norte do Paraná, na manhã desta quarta-feira (5). A defesa alega que ele sofre de distúrbios psicológicos, depressão e que ele está arrependido. O guarda deve responder por dois homicídios, três tentativas de homicídios e três roubos.

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Felippe foi preso na região de Maracaí (SP), a 120 quilômetros de Londrina. Policiais civis e militares de Palmital (SP) encontraram o suspeito em um hotel na rodovia Raposo Tavares. Ele estava armado com a pistola da Guarda Municipal de Londrina, usada para cometer os crimes. Ele foi trazido para Londrina por três investigadores e mais um delegado lotado na 10ª SDP.

Na delegacia, Ricardo Felippe ficou em silêncio e não falou com a imprensa. Em coletiva, o advogado Luca Carrer, responsável pela defesa do guarda municipal, afirmou que “sabia que o agente sofria de alguns distúrbios psicológicos” e que “tinha um quadro depressivo”, mas argumentou que ele tinha ótimo histórico na Guarda Municipal. “Sempre foi um ótimo profissional”, declarou Carrer. “Ele está bem arrependido e vai prestar os esclarecimentos no momento certo”, comentou o advogado.

O fato de Ricardo Leandro Felippe trabalhar armado surpreendeu o Ministério Público do Paraná (MPPR). Desde janeiro, a Justiça concedeu medida protetiva a ex-namorada após denuncias de agressões e ameaças na Delegacia da Mulher. Na decisão, a Justiça havia determinado a retirada da arma do guarda no âmbito pessoal e no trabalho. De acordo com Suzana de Lacerda, o MPPR acreditava que o guarda estaria trabalhando apenas internamente, em funções administrativas. “A notícia que nós tivemos é que ele estaria interno. Então que ele só poderia utilizar essa arma internamente. Pois senão, a medida perderia absolutamente o sentido. Se ele podia sair na rua armado, qual seria o objetivo dessa medida? Precisamos ver se ele foi beneficiado. Há várias situações para serem apuradas”, declarou Suzana.

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O caso

De acordo com a Polícia Civil, entre a tarde e noite de segunda-feira (3), em perseguição a duas ex-companheiras, o guarda, que já era processado por casos de violência doméstica, matou duas pessoas e feriu outras três. Segundo a polícia, o homem invadiu uma empresa em busca da ex-mulher, Josiane Amorim, mas acabou matando com três tiros a sócia dela, Ana Regina do Nascimento Ferreira.

Em entrevista a TV Tarobá, um amigo da vítima que não quis se identificar, afirmou que o alvo de Ricardo Felipe era realmente a sócia da ex-companheira. “No celular da Ana tinha muitas provas que pudessem incriminar o Ricardo. São fotos na qual a Josiane aparece com as pernas cortadas, ambas as pernas ‘passada a faca’, além de hematomas principalmente nas costas e um corte no crânio [sic]”, disse.

Na sequência, ele roubou o carro de Ana Regina, um Ônix de cor branca, e foi até a casa de uma outra ex-companheira, Rachel Espinosa, na zona oeste da cidade, e atirou em quatro pessoas – avô, pai, mãe e filho da mulher. O filho, Vitor, de 17 anos, morreu no local. O pai da mulher foi levado em estado gravíssimo ao hospital. O arrombamento foi registrado por câmeras de segurança. Veja:

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Segundo o delegado Osmir Ferreira Neves, Ricardo Felippe premeditou o crime. “(A motivação) associada à vida afetiva dele, tanto em relação à atual convivente, quanto às ex-conviventes desse rapaz. Aparentemente, essa progressão criminosa foi premeditada na medida em que ele compareceu à Guarda Municipal no intuito de obter uma arma de fogo. E também, quando buscava a fuga dos locais em que consumou seus crimes, roubando vários veículos para dificultar a ação policial”, afirma.

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