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Guerra entre facções foi identificada há meses por Inteligência do Paraná, diz SESP

Com BandNews FM Curitiba e Júlio Cezar LimaInvestigações coordenadas no estado do Paraná já apontavam há quatro m..

Fernando Garcel - 04 de janeiro de 2017, 17:20

Com BandNews FM Curitiba e Júlio Cezar Lima

Investigações coordenadas no estado do Paraná já apontavam há quatro meses para a ruptura entre as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV). A briga entre dois dos principais grupos criminosos que atuam dentro e fora dos presídios é apontada como a motivação do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, no Amazonas. A tragédia deixou 56 mortos na cadeia de Manaus.

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Uma das principais hipóteses é de que a rebelião teve origem na briga entre membros do PCC e da facção Família do Norte (FDN) – ligada ao Comando Vermelho, rival dos paulistas.

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A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná (SESP) afirma que todos os estados brasileiros foram alertados sobre a briga entre as facções. De acordo com a SESP, a “guerra” que acontece em Manaus foi identificada há meses pelo Departamento de Inteligência do Paraná. A Secretaria ainda aponta que realizou diversas transferências de presos para prevenir situações parecidas em presídios do Paraná.

A identificação do “racha” entre PCC e CV aconteceu por meio da interceptação de mensagens entre presos. Conhecidas como “pipas”, as mensagens circulam por meio de bilhetes trocados entre presos, também com a ajuda de parentes e familiares. Ainda de acordo com a Secretaria de Segurança e Administração Penitenciária, as “pipas” orientavam os participantes do PCC para que acabassem com qualquer vínculo com membros ligados ao Comando Vermelho. Quando aliadas, as facções se ajudavam no carregamento de armas, munição e drogas, por exemplo. O trabalho em conjunto facilitava a logística e tornava o crime ainda mais lucrativo. Na sequência foram identificadas outras mensagens – de ambos os grupos criminosos – reforçando a ordem para romper os vínculos.

De acordo com a SESP, um dos primeiros reflexos da briga entre as facções foi a morte do traficante Jorge Rafaat Toumani, em julho do ano passado. O criminoso era um dos principais importadores de drogas na Fronteira entre o Brasil e o Paraguai.

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O traficante foi assassinado a tiros na cidade de Pedro Juan Caballero, onde morava. A cidade paraguaia é vizinha de Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. A suspeita da polícia do Paraguai é que o assassinato foi arquitetado pelo PCC, que teria se aliado a outro traficante da região com o objetivo de se estabelecer na Fronteira.

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O Paraná é um dos estados onde o PCC atua com mais força. Uma força-tarefa formada por agentes da Polícia Federal, Civil e Militar atua há anos, em conjunto com o Departamento de Execução Penal (Depen-PR), para trocar informações. A Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária diz ainda que monitora o uso de telefones celulares dentro dos presídios. Apesar de evitar a entrada dos aparelhos, a SESP admite o costume de interceptar ligações, com autorização da Justiça, quando descobre o uso dos aparelhos dentro do sistema penitenciário.