Indicado ao Oscar: autodescoberta conduz drama em Moonligth

Caderno Gente


Por Julie Gelenski

Dos indicados ao Oscar de melhor filme, talvez seja “Moonlight – Sob a Luz do Luar” um dos que reúne mais qualidades.

O longa é sobre construção de identidade, a partir do despertar sexual, mas descrevê-lo assim seria reduzir o que o diretor e roteirista Barry Jenkins põe na tela.

Vemos ali uma história contada em três atos.No primeiro, um menino apelidado de Little (Alex Hibbert) se isola por sofrer bullying. Em uma das fugas dos colegas, ele encontra o traficante Juan (Mahershala Ali), que toma o lugar de uma figura paterna até então inexistente.

No segundo ato, Little cresce e é chamado por seu nome, Chiron (Ashton Sanders), mas as coisas continuam nada fáceis. O assédio dos amigos segue, a mãe dele (Naomie Harris) se perde nas drogas e Juan não está mais no radar. Alem disso, Chiron ainda não sabe muito bem quem é. Quando começa a se entender consigo, ele é espancado por um amigo e tem seu destino drasticamente alterado.

Na última parte, Chiron se transforma no traficante Black (Trevante Rhodes). Antes franzino, agora ele é uma montanha de músculos. Quando recebe uma ligação de Kevin (André Holland) pedindo desculpas pela surra, percebemos que o visual é fachada. Por dentro, ele segue com as mesmas inseguranças.

A história ganha força pela direção de Jenkins, que conduz seu elenco com sobriedade. As falas são repletas de não ditos, e ele consegue evidenciar com delicadeza e sem pieguice o quanto esses silêncios revelam e impactam a vida dos personagens.

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