Informante de Recalcatti é morto a tiros em Rio Branco do Sul

Redação


A polícia tenta identificar os atiradores que executaram Mauro Sidnei do Rosário, de 32 anos, Região Metropolitana de Curitiba. O crime aconteceu nesse domingo (29) à noite e vitimou um dos denunciados pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) por participação em um homicídio em Rio Branco do Sul – caso ocorrido em abril de 2015. Rosário foi morto em um bar.

Ele já estaria jurado de morte, segundo a polícia. O bar, local do homicídio, fica na Vila Zumbi dos Palmares, em Colombo, Região Metropolitana de Curitiba. Segundo testemunhas, quatro homens chegaram em um carro com vidros escuros, desceram e atiraram diversas vezes. Além de Rosário, dois homens, de 32, e 37 anos, foram atingidos. Eles foram encaminhados ao hospital com risco de morte.

Em outubro do ano passado, Mauro Sidnei do Rosário e o delegado Rubens Recalcatti foram presos na mesma operação do Gaeco. O delegado é acusado de ter articulado a morte de Ricardo Geffer, suspeito de matar o ex-prefeito de Rio Branco do Sul, João da Brascal – amigo de Recalcatti.

Reincidente

Mauro Sidnei do Rosário, criminoso reincidente, era informante da Polícia Civil, conforme o próprio Recalcatti. O informante também é apontado pela polícia como um dos quatro suspeitos de assaltarem a casa do ex-vice-governador Flávio Arns, no ano passado.

Rosário estava preso temporariamente no Complexo Médico-Penal em Pinhais, na região metropolitana, suspeito de ter participado da execução de Ricardo Gefer, junto com o delegado e uma equipe de sete policiais civis no dia 28 de abril deste ano. Geffer era suspeito de assassinar no dia 12 de abril o ex-prefeito de Rio Branco do Sul, João da Brascal, amigo do delegado.

O assalto à casa de Flávio Arns foi em julho e a operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado que prendeu Recalcatti e os policiais, foi em outubro. O informante se entregou três dias depois da operação, no dia 16 de outubro. Segundo Recalcatti, o Mauro Sidnei do Rosário não teve participação no suposto confronto que matou Ricardo Geffer.

“Ele não tem participação nenhuma em fato nenhum, como não tem que dizer que houve execução nenhuma. houve confronto, isso vai ser provado e comprovado. Esse é o fato que temos. O fato novo aí que surgiu, esse é outra situação que está sendo investigada pela Polícia Civil que tem que investigar mesmo. Isso será devidamente apurado, a participação dele nesse evento ou não. É bom que se frise bem que nós não fizemos nada que fosse contra a lei ou ilegal. Nós estávamos cumprindo a lei”, disse o delegado Recalcatti na época.

Informante

Foto: Narley Resende / Paraná Portal

“Ele participava como informante. A polícia do Brasil e do mundo inteiro tem que trabalhar com informantes em determinadas situações que são necessárias. Ele não era um elemento procurado (na época da operação em Rio Branco) e ele não andava armado conosco, até porque eu não permitiria isso”, afirmou delegado Recalcatti na época.

Mauro Sidney do Rosário foi preso diversas vezes por furtos, roubos e homicídio. Em 2007, ele participou de uma fuga de 10 presos da delegacia do Alto Maracanã. Segundo a investigação do Gaeco, Rosário atua como informante e testemunhas disseram que ele estava entre as pessoas que abordaram Ricardo Geffer. Segundo as testemunhas, Geffer teria sido abordado em casa e não reagiu à prisão. Mesmo assim, teria sido morto a tiros pelos policiais. Uma das testemunhas teria dito que o informante agrediu Ricardo Geffer durante a abordagem.

Geffer era suspeito de matar João Dirceu Nazzari, o João da Brascal, ex-prefeito de Rio Branco do Sul, e um funcionário dele, com disparos pelas costas. Nazzari foi prefeito de Rio Branco do Sul entre 1997 e 2000. Como o ex-prefeito era amigo próximo do delegado Recalcatti e ele comandou a operação que resultou na morte do suspeito, o Gaeco acredita que Geffer tenha sido executado.

Recalcatti, os sete policiais, e o informante foram presos na Operação Aquiles do Ministério Público. Segundo o delegado, o uso de informantes em operações policiais não é ilegal. A participação dele não significa que ele seja amigo dos policiais.

O delegado Rubens Recalcatti não atendeu às ligações da reportagem na manhã desta segunda-feira (30). A Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Civil foram procuradas e devem divulgar nota sobre o caso ao longo do dia.

Previous ArticleNext Article