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Interesses políticos motivaram indiciamento, afirma comandante da PM

O comandante da Polícia Militar (PM), coronel Maurício Tortato, afirmou que "interesses políticos" estariam por trás do ..

Jordana Martinez - 01 de setembro de 2016, 18:09

O comandante da Polícia Militar (PM), coronel Maurício Tortato, afirmou que "interesses políticos" estariam por trás do indiciamento dele no inquérito que  investiga o recall de coletes vencidos. Além do comandante, foram indiciados o proprietário e o gerente da empresa que fabricou os equipamentos, além de um diretor da PM. O documento foi protocolado na 8.ª Vara Criminal, na última semana.

De acordo com o relatório final, ao concordarem com o recall, o comandante e o coronel João Francisco dos Santos Neto, diretor do Departamento de Apoio Logístico da PM, “compactuaram com a exposição ao risco iminente aos mais de 12 mil policiais militares, por inércia e omissão”. Segundo o inquérito, mais de sete mil coletes passaram pelo recondicionamento, mas o procedimento seria realizado em 11.240 unidades.

"O indiciamento é movido por interesses políticos que repercutem nas relações institucionais", afirmou. Segundo o coronel, o comando já vinha tomando medidas sobre o caso antes mesmo da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam) começar a atuar: "ele pega só informações incompletas, pautadas pela maldade, de maneira tendenciosa e midiática, para indiciar o comandante".

O Departamento da Polícia Civil divulgou nota afirmando que “não interfere e respeita o entendimento jurídico de cada delegado que preside os inquéritos policiais". “O Departamento ressalta também que não há dúvida da boa fé do Comando-Geral da Polícia Militar na estrutura oferecida aos servidores da instituições. E reafirma a integração entre as forças de segurança do Estado”.

Entenda o caso

O “recall” dos coletes balísticos das forças de segurança do Paraná veio à tona no dia 31 de março, quando uma operação conjunta do Exército e da Deam chegou a um barracão de uma empresa na Região Metropolitana de Curitiba. No local, foram apreendidos cerca de 540 coletes, que estavam sendo recondicionados no galpão. Parte do material estava vencida e outra parte, em vias de vencer. O equipamento ganhava uma manta extra de aramida – material sintético usado neste tipo de item de segurança – e tinha a etiqueta de identificação substituída, de modo a ter a validade acrescida em um ano.

Segundo as investigações, mais de 7,4 mil coletes já passaram pelo “recall” e foram devolvidos aos policiais. No total, 11,2 mil unidades seriam recondicionadas por meio do procedimento.

Testes balísticos realizados pela Deam haviam reprovado amostras do material apreendido. Os coletes chegaram a ser perfurados por disparados de calibres a que deveriam resistir ou provocaram traumas incompatíveis com especificações técnicas.

Antes disso, testes da própria PM haviam levantado suspeitas quanto à eficácia do equipamento. Essa desconfiança que motivou a definição pelo “recall”, que foi autorizado pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp).

Para a polícia, o “recall” infringe a portaria nº 18/06 do Exército, que regulamenta os produtos de uso controlado. A norma explicita que a validade dos coletes é improrrogável e que os materiais vencidos devem ser destruídos.