Justiça condena irmã e sobrinho de empresária morta a facadas

Fernando Garcel


Com informações de Ana Krüger

A Justiça condenou Christiane Abujamra e Arnold Vianna a 15 anos e 3 meses de prisão pelo assassinato da empresária Clemans Abujamra, irmã e tia dos acusados. A sentença, dada em julgamento que durou dois dias, foi anunciada no Tribunal do Júri nesta quinta feira (28/07).

Eles foram condenados a 14 anos de prisão por homicídio doloso, e mais um ano e três meses por fraude processual.

Clemans Abujamra morava nos Estados Unidos e estava no Brasil para adotar uma criança. A empresária, de 52 anos, desapareceu no dia 27 de abril de 2013. O inquérito apontou que os condenados mataram a mulher com facadas no apartamento em que morava e depois transportaram o corpo dela até o terreno baldio em que foi encontrado dois dias depois.

Entre as provas que levaram a condenação dos réus estão exames de DNA e o depoimento do taxista que levou a dupla até a região onde o corpo foi abandonado.

Um dos motivos que levaram a morte da empresária teria sido a disputa por uma herança da família. A tese do Ministério Público não teve provas suficientes para ser comprovada. Independente disso, o assistente de acusação, o advogado Elias Mattar Assad, afirma que o crime foi comprovado. “Houve uma motivação intencional, que veio da infância, com interesses pouco esclarecidos, mas entendo que as pessoas estão sendo julgados pelo o que aconteceu naquele dia”, diz.

Ana Krüger
Foto: Ana Krüger

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) deve recorrer da decisão por considerar que o crime configura homicídio qualificado, o que foi descartado pelo júri. A promotora de Justiça, Rosany Pereira Orfon, sustenta que a crueldade com que o crime foi cometido deveria ter ampliado a condenação. “São circustancias que, uma vez existentes, elevam a pena. Minha sustentação, desde o início foi nesse sentido. No entanto, o conselho de sentença entendeu que não. Eu vou recorrer pra que seja realizado um novo juro e o reconhecimento dessa qualificadora”, afirma Rosany.

O advogado de defesa, Osman Arruda, não se pronunciou oficialmente, mas disse que achou a pena muito alta e que vai recorrer. O júri negou o pedido da defesa para que os réus pudessem recorrer da sentença em liberdade.

O marido da empresária, Roberto Nanamura, que acompanhou todo o julgamento, diz que se sentiu aliviado ao ouvir a sentença três anos depois da morte da esposa. “Eu acho que a sociedade falou e está fazendo a justiça que a sociedade quer. De certa forma eu estou aliviado por ter reconhecido que eles foram os autores”, diz. Porém, ele criticou a pena aplicada aos autores do crime que teriam “levado vantagem” do júri. “Provavelmente ela teria mais 20 anos de vida e foi trocada por 15 anos de cada um. Acho que eles levaram vantagem”, afirma.

Christiane e Arnold já estavam presos e devem cumprir a pena em regime fechado.

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