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Mulher fica mais de 30 horas em camburão por falta de vaga em prisão

Uma mulher, de 45 anos, permaneceu por mais de 20 horas dentro do camburão de uma viatura da Polícia Civil aguardando um..

Fernando Garcel - 14 de dezembro de 2016, 17:58

Uma mulher, de 45 anos, permaneceu por mais de 20 horas dentro do camburão de uma viatura da Polícia Civil aguardando uma vaga na carceragem entre a noite desta terça-feira (13) e a tarde desta quarta-feira (14). Ela foi detida às 20h de terça-feira, foi encaminhada para exames no IML e só será transferida para Casa de Custódia, em São José dos Pinhais, às 9h de quinta-feira (15).

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No vídeo divulgado por policiais civis, a mulher afirma que está dentro da viatura desde às 20h de terça-feira. Annapaola Ravazzani tinha um mandado de prisão por roubo que foi cumprido por policiais da Delegacia de Triagem e Capturas. O documento define a prisão no regime semiaberto, mas o sistema prisional está sobrecarregado. De acordo com o policial que faz o registro do vídeo, o Departamento Penitenciário (Depen) "não quer aceitar" a detenta por não haver vagas. "Como que fica? E os Direitos Humanos?", diz no vídeo.

De acordo com Daniel Cortes do Sindicato das Classes Policiais Civis do Estado do Paraná (Sinclapol), a mulher foi encaminhada para fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico-Legal (IML) durante a tarde desta quarta-feira e retornou para o camburão da viatura. "O Depen não está abrindo vagas para encaminhar presos. As delegacias estão enchendo de novo. Saíram 16 mil e entraram 20 mil nas delegacias do Paraná", declarou Cortes sobre as superlotações. Uma determinação do Depen garante que ela será transferida para a Casa de Custódia a partir das 9h de amanhã.

Em nota, o Depen afirma que as transferências estão ocorrendo normalmente e de acordo com a disponibilidade de vagas. " As transferências para o sistema prisional estão sendo realizadas normalmente, conforme disponibilidade de vagas. Inclusive, na data de ontem (13), foram retiradas todas as três mulheres que se encontravam presas na Delegacia de Vigilância e Capturas de Curitiba (DVC), além de outras sete mulheres presas no 12º Distrito Policial de Curitiba. Todas foram encaminhadas para o sistema prisional. Em relação a mulher presa ontem à noite, o Depen informa que já disponibilizou a vaga no sistema prisional", diz a nota.

Delegacias lotadas foi pauta na Alep

Na sessão plenária da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) de terça-feira (13), o deputado Márcio Paulik (PDT) também falou sobre o problema nas carceragens do Paraná. Ele afirmou que as superlotações já são um problema conhecido pelos paranaenses e lembrou do caso da 13ª Subdivisão Policial de Ponta Grossa, nos Campos Gerais. O espaço destinado para seis pessoas abriga, atualmente, 36 detentos. O local foi cenário de um principio de rebelião que foi controlado no último domingo (11).

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"É melhor na Penitenciaria Estadual, que tem 400 vagas, e tem 500 detentos, ao menos levar pro Ildebranco . A qualquer momento pode acontecer uma tragédia. Daqui a pouco o delegado vai ter que fazer igual eu vi que fizeram no Rio Grande do Sul... Vai ter que deixar os detentos dentro das viaturas esperando ou algema-los na cerca", declarou Paulik.