Mulher que chamou PM de “macaco” após prisão do filho deixa delegacia

Andreza Rossini


A mulher que se passou por agente da Polícia Federal (PF) e chamou um policial militar de “macaco”, em Campo Mourão, no Noroeste do Paraná, foi liberada da delegacia na manhã desta quarta-feira (28), de acordo com a Polícia Civil. Ela foi detida na tarde de domingo (25), por injúria racial.

Ela mora em Santa Catarina, mas deve responder ao caso em liberdade e permanecer em Campo Mourão até o julgamento do processo. Para deixar a delegacia, ela precisou pagar fiança de R$ 1 mil, determinada pela juizá responsável pelo caso, Terezinha Ferreira. A magistrada considerou que a mulher não tem antecedentes criminais e não apresenta perigo.

A mulher é obrigada a comparecer mediante autoridade sempre que intimada e não pode alterar de endereço sem aviso prévio.

Entenda o caso

A ocorrência começou após um motorista derrubar a porta de um estabelecimento comercial ao rodar durante manobra conhecida como “cavalo-de-pau”. Com a colisão, o veículo, um Audi A3, chegou a entrar no estabelecimento. Apresentando sinais de embriaguez, o homem se recusou a fazer o teste do bafômetro. Foi então que a mulher, mãe do motorista, se apresentou como agente da Polícia Federal (PF), da equipe do juiz Sérgio Moro, que comanda da Operação Lava Jato, e passou a ofender o policial que atendeu a ocorrência o chamando de “negão, macaco e porco”.

O jovem deixou a delegacia na terça-feira (27) e também precisou pagar fiança no valor de R$ 1 mil.

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O policial militar deu voz de prisão e encaminhou a mulher para a à 16ª Subdivisão Policial. A suposta agente da PF não apresentou documentos que comprovassem o vínculo com a corporação. De acordo com a Polícia Civil, a mulher permanece presa por crime de injúria racial e o filho foi apreendido por apresentar sinais nítidos de embriaguez.

De acordo com o diretor do Sindicato dos Policiais Federais no Paraná, Rogério Rodrigues, a mulher não tem qualquer relação com a corporação e a Polícia Federal repudia qualquer ato de racismo. “De forma alguma um policial federal agiria dessa forma. Nosso relacionamento com todas as policias, seja militar ou civil, é ótimo. Nós repudiamos qualquer tipo de atitude como essa, seja autoridade ou não”, declara Rodrigues.

De acordo com dados do Ministério Público do Paraná (MP-PR) levantados pelo Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça (Caop) de Proteção ao Direitos Humanos, a cada quatro dias, três pessoas, em média, são vítimas de racismo ou injúria racial no Paraná. Até 12 de dezembro, foram instaurados 207 inquéritos policiais no estado para apuração de crimes raciais.

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Números da ONG SaferNet, entidade que desde 2006 monitora crimes e situações de agressão na internet no Brasil, apontam que só em 2015 houve 86.279 registros de denúncias envolvendo crimes de ódio praticados na internet no país – casos de racismo, intolerância religiosa, homofobia, neonazismo e apologia/incitação à violência. Só o racismo responde por 55.369 registros. Estas são situações verificadas apenas na internet, sem contar os casos ocorridos no “mundo real”.

 

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