Na ausência de líderes políticos, ficamos com o velho Mujica da maconha

Redação


 

Como estamos pobres de lideranças políticas, depois da queda de Lula e Dilma, o que sobrou, principalmente para muitos paranaenses – mais de três mil – foi ovacionar o revolucionário das causas pobres no Uruguai, José Mujica, no Seminário Democracia para as Américas. Ele se apresenta em palcos estrangeiros, como nesta quarta-feira, no Ginásio do Circulo Militar, no centro de Curitiba, para uma plateia formada principalmente por jovens que acreditam em suas ações de esquerda voltada aos excluídos ou pelas suas inusitadas leis, quando presidente do Uruguai, de legalização da maconha, aborto, casamento gay e no combate à violência contra as mulheres.

Se Mujica é bom de marketing no exterior, no quintal de casa vem sofrendo, como senador e homem da Frente Ampla, várias derrotas. Segundo noticiários, dentro do seu país, as opiniões em relação ao ex-presidente e sua gestão – 2010 a 2015 – estão cada vez mais negativas. Seu governo está, inclusive, na mira da Justiça por uma denúncia penal apresentada recentemente pelos três principais partidos de oposição, sobre supostas irregularidades na companhia petrolífera estatal Ancap e poderia enfrentar, ainda, uma ofensiva para abertura de uma comissão de investigação no Congresso sobre negócios fechados com a Venezuela durante seu mandato.

Segundo o jornal O Globo, a denúncia contra a Ancap, que também envolve o primeiro governo do presidente Tabaré Vázquez (2005-2010), é um fato inédito no Uruguai e chegou ao Juizado do Crime Organizado poucos meses depois de o Parlamento ter aprovado, por lei, uma capitalização de US$ 800 milhões para a maior empresa do país, que tem o monopólio do mercado de combustíveis. Na opinião de economistas e analistas locais ouvidos pelo GLOBO, a acusação de má administração é delicada e o rombo financeiro deixado por Mujica a seu sucessor poderia superar US$ 1 bilhão.

Em Curitiba, Mujica certamente será aplaudido não apenas pela sua palestra sobre democracia que, aliás, ele entende e muito bem, mas ovacionado pela legalização da maconha. Este será, sem dúvida, o tema do debate fora do palco central que é a democracia. Mas, esperamos que o velho Mujica possa dar lições de democracia ao Brasil e ao mundo.

Previous ArticleNext Article
[post_explorer post_id="487277" target="#post-wrapper" type="infinite" loader="standard" scroll_distance="0" taxonomy="category" transition="fade:350" scroll="false:0:0"]