Não basta apenas punir com prisão, diz Moro, mas também recuperar os valores desviados

Redação


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Para o juiz Sérgio Moro, responsável pela investigação da Operação Lava Jato, a prisão de investigados não basta para combater a corrupção no país. É preciso, também, diz ele, recuperar os valores desviados pelos criminosos, por meio de acordos de cooperação internacional ou de delação premiada.

Em João Pessoa, onde participou de uma conferência, Moro destacou a importância dos acordos de cooperação internacional, principalmente com a Suíça, para repatriar ao Brasil recursos desviados da Petrobras para contas secretas no exterior. Ele citou o caso de Pedro Barusco, ex-gerente da estatal e um dos delatores do esquema de corrupção, que tinha cerca de U$S 100 milhões depositados fora do país e devolveu a quantia após assinar um acordo de delação.

Portanto, ressalta Morro, somente a pena de prisão não é suficiente para combater os desvios na Petrobras. “Hoje em dia, isso não é suficiente, também é necessário a recuperação do produto do crime. Não basta a punição, a sanção corporal, a pena privativa de liberdade. É necessário fazer com que o crime não compense financeiramente. Isso significa a necessidade de retirar do criminoso o produto de sua atividade.”

De acordo com levantamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), foram repatriados para o Brasil até o momento R$ 2,9 bilhões por meio de acordos de colaboração no âmbito da Lava Jato.

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