O dia a dia do “príncipe” Marcelo Odebrecht na cadeia, em Curitiba

Redação


 

 

O repórter do Estadão, Ricardo Brandt, traça o perfil do mega empresário Marcelo Bahia Odebrecht, o “príncipe, como é chamado na carceragem de Curitiba, o qual divulgamos aqui: “Marcelo é o único empresário do grupo “VIP” de empreiteiras acusadas de cartel ainda preso em Curitiba. Transformou a cela – que divide com três outros presos – em academia, escritório e biblioteca.

Duas rotinas obsessivas tomam os seus dias: escrever e exercitar-se. Como os demais presos, Marcelo tem direito a uma hora de sol por dia na custódia da PF. As celas não têm luz, só a do corredor, nem TV, nem rádio. As visitas da família são às quartas-feiras – a irmã e a mulher são as mais frequentes.

A maior parte do período de cárcere, “o príncipe” – como passou a ser tratado pelos demais presos – ficou detido no Complexo Médico-penal, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Na unidade, administrada pelo Estado, Marcelo virou o interno 118065, um dos presos do Pavilhão 6 – que no fim de 2014 passou a abrigar a população crescente de encarcerados de colarinho branco.

Perto das acomodações da carceragem da PF, o presídio médico é um “paraíso”, contam os presos que já passaram para regime domiciliar. O espaço é maior, o banho de sol não é restrito a uma hora diária e o uso de televisores e rádios é liberado. Há ainda regalias como a permissão para entrada de alimentos especiais.

Marcelo voltou à carceragem da PF por causa da negociação da delação, mas graças a uma decisão do juiz da Lava Jato, que aceitou um ofício encaminhado pela defesa em que uma médica particular atestou que o “príncipe” estava com saúde “preocupante”, o retorno não foi tão ruim. Marcelo obteve direito a uma dieta especial fortalecida com frutas secas, biscoitos e torradas sem glúten.

Negócio. Forjado pelo avô Norberto Odebrecht e pelo pai, Emílio, a assumir o império empresarial construído pela família, Marcelo tem em seu portfólio negociações bilionárias que levaram o grupo à sua era de ouro – nos governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Mas, longe do comando das empresas há um ano, seu principal negócio hoje é obter com a Procuradoria da República uma redução da pena – quem sabe, voltar para casa, como fizeram outros empresários delatores.

Aos 47 anos e depois de passar aniversário, Natal e réveillon de 2015 na cadeia, Marcelo foi condenado no mês passado pelo juiz federal Sérgio Moro a 19 anos de prisão. Há ainda outras duas ações penais em andamento na Lava Jato e outras a caminho. O cenário obrigou o empresário a dar sua cartada final.

O conteúdo da delação-bomba pode determinar os rumos da Lava Jato e do Grupo Odebrecht. Marcelo Bahia Odebrecht não é só mais um preso – entre os 157 – da Lava Jato. É o maior troféu para os investigadores da força-tarefa criada em 2014 para desmontar o estruturado e bilionário esquema de cartel e corrupção na Petrobrás.

“A lei deve valer para todos ou não valer para ninguém”, disse o procurador da República Carlos Fernando de Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato, no dia da prisão de Marcelo.

 

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