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O risco da Covid-19 e o risco de desmando no país

 O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou cartas a milhões de americanos com diretrizes para o ..

Pedro Ribeiro - 27 de março de 2020, 10:13

O presidente Jair Bolsonaro acompanhou, da área externa do Palácio do Planalto, em Brasília, a manifestação de apoiadores de seu governo, que está sendo realizada neste domingo (15) na capital federal e em outras cidades do país.
O presidente Jair Bolsonaro acompanhou, da área externa do Palácio do Planalto, em Brasília, a manifestação de apoiadores de seu governo, que está sendo realizada neste domingo (15) na capital federal e em outras cidades do país.

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou cartas a milhões de americanos com diretrizes para o combate ao coronavírus e pediu para que a população fique em casa. Ficar em casa, não trabalhar doente e evitar reuniões e eventos com mais de 10 pessoas são as principais recomendações.

Em Milão, na Itália, o prefeito da cidade, Giuseppe Sala, reconheceu o erro quando apoiou a campanha “Milão não para” que, lançada há 30 dias, estimulou os milaneses a continuar as suas atividades. Hoje a cidade já contabiliza 4,4 mil mortos.

No Brasil, solidários ao presidente Jair Bolsonaro que, em discurso sugeriu a volta ao trabalho das pessoas com menos de 60 anos, governadores de três estados – Santa Catarina, Rondônia e Mato Grosso – autorizaram a abertura das escolas, trabalho, enfim, vida normal.

Secretários da Saúde dos estados voltaram a pressionar o ministro da Saúde,  Luiz Henrique Mandetta, a manter sua posição em relação ao isolamento, afrouxada depois do pronunciamento de Bolsonaro.

Em Maringá, uma carreata foi até a prefeitura da cidade para pressionar o prefeito Ulisses Maia a volta à vida normal. O governador Ratinho Junior mantém posição de isolamento, o mesmo acontecendo com o prefeito da capital, Rafael Greca. Nesta sexta-feira também está prevista passeata em Curitiba para reabertura do comércio e volta às aulas.

Com esta confusão, mando e desmandos, a população acabará ficando sem comando e cada um fará o que quiser, o que não será saudável para o controle da doença.

Enquanto isso, o presidente Bolsonaro, depois de seu trágico pronunciamento, acabou se isolando, principalmente no Palácio do Planalto, dos que trabalham para auxiliá-lo neste momento.  Parece que não leva mais em conta opiniões daqueles que tem credibilidade para auxiliá-lo nesta luta. Chegou a, novamente, repreender o vice-presidente Henrique Mourão dizendo que quem manda é ele.

Nas redes sociais, seus filhos, Carlos, Flávio e Eduardo, continuam barbarizando e há quem sustente que Carlos está participando das decisões de governo em Brasília e trombando com técnicos e agentes do primeiro escalão do governo.

O presidente parece ter dado preferência ao grupo chamado de “gabinete do ódio” que monitora seu desempenho político nas redes sociais e distribui torpedos nas redes sociais contra os governadores que foram contra as suas medidas, principalmente João Dória, de São Paulo.

Do jeito que as coisas andam, além do risco da Covid-19 poderemos ter o risco do desmando no país.